Retratos da vida real

O que te fascina no cotidiano como tema fotográfico?
O que me encanta é a vida acontecendo sem roteiro. As pessoas indo e vindo, os gestos pequenos, o riso que escapa, o silêncio que diz mais do que mil palavras. Acho bonito esse caos que a gente chama de rotina. É isso que eu tento capturar: a beleza que ninguém viu porque estava com pressa.
Quais fotógrafos marcaram teu olhar e tua trajetória?
Tem muita gente que me inspira. Cartier-Bresson sempre me ensinou que o instante decisivo está por toda parte. Sebastião Salgado me mostrou a força da dignidade humana em cada imagem. Mas também olho muito para nomes menos conhecidos, gente que fotografa a própria rua com delicadeza. Aprendo todos os dias com quem fotografa com o coração, não com a vaidade.
Além da fotografia, onde você busca repertório criativo?
Na conversa com as pessoas. No cinema antigo. Em discos de vinil que ouço sem pressa. Às vezes é um poema lido de madrugada que acende uma ideia. Outras vezes é um senhor sentado num banco de praça. Tudo pode ser faísca — o segredo é estar presente e deixar o mundo te atravessar.
Como você enxerga o espaço urbano no teu processo criativo?
A cidade é o meu estúdio preferido. Ela muda de humor conforme a hora, a luz, o clima. Gosto de andar sem destino, deixando que as ruas decidam a foto. Tenho uma relação forte com as esquinas — nelas tudo acontece: encontros, despedidas, esperas. É onde a vida se mostra sem pedir licença.
Na tua rotina, o que fala mais alto: a precisão técnica ou a intuição do instante?
A intuição, sempre. Técnica é ferramenta, mas não é fim. Prefiro uma foto torta que tenha alma a uma perfeita que não diga nada. O que me move é a emoção do momento, aquele segundo em que tudo se alinha e você simplesmente sente: “é agora”.
Como a experiência de ser pai transformou a tua forma de fotografar e de olhar o mundo?
Ser pai mudou tudo. Antes eu fotografava o que via. Agora fotografo também o que sinto. Meu filho me ensinou a desacelerar, a reparar nos detalhes, a enxergar o extraordinário no simples. Muitas vezes ele aparece nas minhas fotos sem saber — às vezes nem é ele na imagem, mas é o olhar dele em mim que está ali.
Num mundo invadido por imagens artificiais, qual é o papel da fotografia feita por mãos humanas?
Marco Dalpozzo: O homem que escuta o vento

Por quase três décadas, Marco viveu o cotidiano do mundo corporativo, uma carreira que o levou da Unilever à Vale do Rio Doce, da L’Oréal à CBF - Confederação Brasileira de Futebol. Em cada um desses escritórios, o eco do mar e o sopro do vento eram como uma promessa distante, uma paixão antiga que o aguardava. A virada de chave começou em 1994, quando suas primeiras férias no Brasil se transformaram em uma expedição de 6 mil quilômetros, de carro, em busca do vento perfeito. Foi uma aventura com mapas da revista Quatro Rodas no colo, pranchas no teto e a certeza crescente de que o Nordeste guardava algo único. Um ano depois, sua companheira de vida, Morgana, reacendeu a chama ao falar de um lugar mítico que conhecera em 1982: Jericoacoara, vilarejo onde só se chegava com muita dificuldade na época. A chegada revelou um lugar que ele jamais esqueceria.
Foi nesse momento de revelação que o executivo se transformou. Em vez de retornar à rotina, Marco decidiu permanecer. “Quando cheguei, as aldeias tinham apenas o luar e as lâmpadas de querosene. Parecia algo fora deste mundo”, diz.

Junto com Morgana, comprou um terreno à beira-mar, considerado inviável pelos locais, e, em 1999, abriu a Vila Kalango. O plano era claro: não imitar o hotel urbano, mas refletir a cultura e o respeito pelo lugar. Os 59 coqueiros que haviam no terreno foram tratados como guardiões e estão lá até hoje, todos, em uma promessa que Marco mantém viva.
A arquitetura seguiu essa mesma filosofia, usando palha, madeira e técnicas locais para criar chalés que respiram com o vento, uma extensão da paisagem. A comunidade se tornou a bússola para a vida e o trabalho, um convite para que os moradores co-criassem o espaço. Para Marco, essa força coletiva é o que distingue Jericoacoara do Preá, onde, em 2005, fundou o Rancho do Peixe.
Onde o Vento e a Natureza se Encontram

O Rancho do Peixe nasceu de um sonho e uma paixão. Marco, um velejador nato, viajou o litoral nordestino em busca da “meca do kitesurf” e encontrou no Preá o vento perfeito, constante, que move o esporte e a vida na região. Distante cerca de 10km de Jericoacoara, o Rancho oferece a tranquilidade de um refúgio com a conveniência de estar próximo a um dos destinos mais vibrantes do país.
Situado em uma área de mais de 60 mil metros quadrados, o Rancho é a materialização de uma filosofia eco consciente. Apenas 14% do terreno é ocupado por construções. Os bangalôs de 80 m² são feitos com materiais locais e projetados para que o vento circule naturalmente, dispensando o ar-condicionado e reduzindo o consumo de energia. As redes nas varandas convidam à contemplação e ao relaxamento, criando um refúgio perfeito para quem busca se conectar completamente com a natureza.
Para Marco, o litoral brasileiro é um dos maiores ativos econômicos do país. Mas, como qualquer ativo, pode ser mal administrado. Ele defende que a sustentabilidade, que custa, vale mais a longo prazo que a busca por lucro rápido. “Prefiro ter 8% de retorno ao ano e deixar o lugar de pé para meus filhos do que buscar 25% e destruí-lo em três anos.” É essa visão que orienta o Rancho, que gera 120 empregos, sendo 90% ocupados por nativos, e compra produtos exclusivamente de fornecedores locais, reforçando a economia circular da região.
Os hóspedes que querem um dia agitado, com música dançante e praia cheia, podem pegar um transfer da pousada rumo à Vila Kalango. Dessa forma, é possível ter o melhor dos dois mundos: a tranquilidade e o contato com a natureza no Rancho, e o agito e as facilidades de Jeri.
O Rancho do Peixe prova que o conforto anda de mãos dadas com a sustentabilidade, e sua filosofia, que trata “cada árvore como um parente”, valeu à acomodação reconhecimentos como o TripAdvisor Travellers’ Choice e o Condé Nast Johansens, na categoria “Melhor Experiência Imersiva”, em 2021.
Desenvolvimento com freio
Para Marco, o vento é mais que um elemento da natureza; é uma forma de encontrar a si mesmo. Foi ele que o guiou para a “Terra do Vento”, como ele se refere poeticamente ao litoral nordestino, onde se encontra uma hospitalidade rara. Em paralelo aos empreendimentos em terra, Dalpozzo transformou a paixão pelo vento em caminho com o Surfin Sem Fim. O projeto, que explora cerca de 1.800 km do litoral nordestino, é uma travessia épica que utiliza o kitesurfing para desbravar o Brasil.
As rotas unem cinco estados brasileiros e revelam comunidades costeiras, natureza exuberante e uma experiência transformadora. São expedições de vários dias, cuidadosamente estruturadas com logística em terra, pousadas parceiras e guias experientes. Mais que esporte, o Surfin Sem Fim é um encontro de pessoas com filosofias semelhantes, que encontram no vento e na água um lugar em comum para partilhar sonhos e aventuras. É um “Caminho de Santiago” tropical.
Nas palavras de Marco, deslizar pela Terra do Vento é uma sensação indescritível, pois “qualquer adjetivo é pequeno para traduzir o que significa.” E para ele, os guardiões dessa terra encantadora são os nativos.
Dalpozzo construiu não apenas um empreendimento, mas um ecossistema de respeito e paixão. Sua história nos lembra que o vento, que antes era apenas uma brisa na janela de um escritório, pode ser a força que nos leva a encontrar nosso verdadeiro lugar no mundo. E essa é a beleza que a Bon Voyage faz questão de mostrar: a jornada de quem ousa seguir o que o coração pede.
Como Chegar
De ônibus
De carro
Distante cerca de 280 km de Fortaleza, a viagem leva cerca de 4 horas até a entrada do parque nacional de Jericoacoara.
Onde Ficar
Rancho do Peixe
@ranchodopeixeVila Kalango
@vilakalango tobiasOnde Comer
Restaurante da vila
@sabordavilapreaTobias Restaurante
@tobiasrestaurante_preaVivendo do Mar
@vivendodomarrestaurantepreaIvana Bezerra e o Sonata de Iracema
“Eu literalmente me encontrei como hoteleira, profissionalmente falando”, confessa Ivana, que hoje está à frente do Sonata de Iracema há 20 anos e preside a Associação Brasileira da Indústria de Hotéis – Ceará (ABIH-CE).

A mudança de foco de Ivana para a hotelaria revelou um propósito profundo: o contato humano aliado ao compromisso social e ambiental. O interesse pelo social, segundo ela, sempre foi orgânico, presente desde a época de colégio. Sobre a sustentabilidade, Ivana lembra: “Eu nem sabia o que era sustentabilidade na época, mas já começamos a implementar a reciclagem no hotel. Para mim, isso sempre foi natural, algo que fazia parte da nossa cultura desde o início.”
O Sonata: um sonho em acordes na Praia de Iracema
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O Sonata de Iracema nasceu, primeiramente, como a materialização de um desejo paterno de ter um hotel. O desafio era criar uma edificação que honrasse a história da Praia de Iracema. A solução veio de uma fonte inusitada: o afeto familiar.
“Nós construímos do zero. Ali era uma casa que nem parece a Praia de Iracema. E nos inspiramos nessas casinhas do lado, mas também na casa dos nossos avós, em Juazeiro”
Quem passa pela frente é recebido por uma charmosa casa azul, que transmite imediatamente um senso de lar e acolhimento, para só depois descobrir a torre moderna que se estende atrás, integrando conforto e elegância sem perder a harmonia com o entorno.
A temática musical se impôs naturalmente, um aceno ao bairro tradicional e boêmio da cidade. O nome Sonata, que significa uma composição para um ou dois instrumentos, reflete essa inspiração. Internamente, o hotel segue a melodia: as oito salas de eventos levam nomes como Serenata e Soneto, e o restaurante principal é batizado de Maestro.
Arte e sustentabilidade entrelaçadas

Com o tempo, o Sonata de Iracema se tornou um ponto de encontro para a cultura. “A gente recebe muitos artistas. Muito mesmo, ao ponto de um indicar o outro”, comenta Ivana.
Esse acolhimento se manifesta em ações concretas. O hotel oferece um espaço permanente para a arte cearense, cedendo a parede do lobby para exposições que mudam a cada seis meses. No mês de Setembro, o Hotel foi palco para debates de filmes exibidos na 35ª edição do Cine Ceará, dando espaço à cena local.
O propósito vai além da estética: é uma plataforma de visibilidade, inclusive para aqueles com “condição financeira muito baixa”. O único pedido feito ao artista é que destine dez por cento da venda para uma instituição de caridade. “A gente trabalha muito forte a questão da sustentabilidade social e ambiental”, sintetiza a empresária.
A autenticidade deste compromisso rendeu frutos: Além do Selo Diamante do Sebrae, a nota máxima em conformidade de qualidade, sendo o único hotel em Fortaleza a conquistá-lo, o Sonata caminha para ser o primeiro hotel do Nordeste com o certificado “Lixo Zero”. A iniciativa inclui a doação de resíduos para mulheres que os transformam em arte ou objetos para venda.
Fortaleza, terra do sol e também das noites
Como presidente da ABIH-CE, Ivana Bezerra possui uma visão privilegiada sobre a ascensão de Fortaleza no turismo nacional e internacional. Ela celebra a união entre o poder público e o privado, que tem promovido a capital com mais intensidade.
“Eu fico indignada quando alguém diz que Fortaleza é uma cidade dormitório, não é.
Pode ter sido algum dia, mas não é mais”, afirma. Para a hoteleira, a cidade está conseguindo reter o turista com um leque de atrações que vão além das praias mais famosas do Ceará. A prova disso está no crescimento de 28% no turismo internacional do Sonata neste ano, um reflexo direto do aumento de voos diretos para destinos como Portugal, Paris e, em breve, Madrid.
Entre os diferenciais que mais atraem o visitante, Ivana destaca o esporte e a cultura:
A Beira-mar Renovada:
Apontada como o grande cartão postal e palco de atividades incessantes, das 5h da manhã às 23h, para “todo gosto mesmo”.
Esportes Naúticos:
A canoagem, o stand up paddle e outros esportes atraem um público que busca bem-estar, sendo frequentemente procurados para experiências no nascer ou pôr do sol, inclusive por grupos corporativos.
Cultura Local:
A distribuição do Passaporte Cultural na chegada ao aeroporto incentiva o turista a carimbar sua visita em até 12 pontos de interesse. Ela também destaca a importância de atrações acessíveis, como o Show do Humor diário na orla.
Ao final, ao tentar definir o espírito de quem se hospeda no Sonata, Ivana Bezerra resumiu a experiência em um propósito claro: “A gente tem como propósito fazer a diferença na vida das pessoas.” É esse “jeitinho de receber” que garante a fidelidade de hóspedes que voltam, ano após ano, para o que é, de fato, o seu lar fora de casa em Fortaleza.
O Caribe Brasileiro

O turismo brasileiro vive um ponto de inflexão. Pela primeira vez na história, o Nordeste passa a ser apresentado ao mundo como um único destino. Essa virada estratégica foi apresentada em Lisboa, durante a BTL – Bolsa de Turismo de Lisboa, quando a Embratur e o Consórcio Nordeste lançaram a marca unificada da região. A decisão é histórica e tem um objetivo claro: projetar o Nordeste como um bloco capaz de competir de igual para igual com destinos já consolidados no mercado internacional, como o Caribe. Em entrevista exclusiva à Bon Voyage, o presidente da Embratur, Marcelo Freixo, resumiu a mudança de perspectiva. Para ele, o trabalho conjunto é a chave para o sucesso.

“Juntos, podemos construir o Nordeste enquanto um destino, transformando em produtos, gerando emprego e renda.”
A unificação do Nordeste como destino não é uma simplificação, mas a valorização de sua rica e diversa identidade. Cada um dos nove estados tem um universo cultural próprio, com sotaques, ritmos e tradições que se complementam. A beleza do Maranhão com sua cultura ancestral e suas paisagens únicas; a da Bahia, em suas ilhas paradisíacas e na história de sua capital; a do Ceará, em seu litoral de ventos constantes. Cada um desses universos culturais se complementa, e é nessa união em que o Nordeste se fortalece como um todo.
A força dos ventos e da hospitalidade

De julho a janeiro, o litoral nordestino se transforma na meca mundial dos esportes à vela. Os ventos constantes atraem milhares de turistas estrangeiros, sobretudo europeus, para a prática de kitesurf e windsurf em praias icônicas como Jericoacoara, Preá, Cumbuco (Ceará), São Miguel do Gostoso (Rio Grande do Norte) e Barra Grande (Piauí). Mais que um fenômeno climático, esses ventos se tornaram um ativo turístico global, associados a meses de céu limpo, mar convidativo e infraestrutura capaz de receber com padrão internacional.
E a hospitalidade nordestina ganha contornos sofisticados com empreendimentos que mudam a paisagem econômica da região. O Rancho do Peixe e o Vila Carnaúba, no Preá (CE), são exemplos de pousadas que unem o luxo despretensioso com o respeito pela cultura local. A sofisticação também brilha com o grupo Carmel, que oferece hotéis como o Carmel Taíba Exclusive e o Carmel Charme Resort, ambos no Ceará.
A Bahia se destaca com ícones de renome mundial, como o Uxua Casa Hotel & Spa e o Fasano Trancoso. Em Alagoas, o Kenoa Resort se consolidou como um dos mais desejados do Brasil. Já em Pernambuco, o Nannai Resort & Spa mantém sua posição de destaque entre os melhores do país. Tais empreendimentos mostram como o Nordeste começa a alinhar sua autenticidade cultural com infraestrutura de classe mundial.
Conectividade e oportunidade

A nova estratégia de promoção do Nordeste também é sustentada pela expansão da malha aérea. Lisboa, Paris e Madri já se conectam a diversas capitais nordestinas, facilitando o fluxo de turistas europeus. Com o Programa de Aceleração do Turismo Internacional (PATI), o governo investe R$ 63 milhões para atrair novos voos e gerar mais de meio milhão de assentos adicionais, priorizando o Nordeste.
A região do Caribe, que se consolidou após ampla promoção integrada, recebeu mais de 34 milhões de visitantes internacionais em 2024, enquanto o Brasil inteiro recebeu 6,6 milhões. O Nordeste tem todos os ingredientes para disputar esse mercado de forma competitiva: sol, ventos, mar, diversidade cultural e uma hospitalidade que é, por si só, um grande argumento turístico. O Brasil, enfim, começa a descobrir que já tinha em casa o seu próprio Caribe. Quem sabe um até melhor.
Rota das Emoções
Em viagens, uma boa seleção musical dá forma ao olhar, unindo as canções aos cenários. Por volta de 21h30, desembarcamos em Jijoca de Jericoacoara. O transfer para a vila já esperava os passageiros do ônibus. As bagagens, amarradas ao teto da picape, indicavam que uma nova experiência estava prestes a iniciar. Os veículos autorizados a entrar na Vila de Jericoacoara são apenas os 4x4 credenciados e o custo do traslado é de cerca de R$ 65. Ao entrar no Parque Nacional de Jericoacoara, nos bancos na carroceria da Hilux, o vento típico do local nos trazia o cheiro de caju, era outubro, um dos meses de safra da fruta.
Foram aproximadamente 45 minutos entre a vastidão das dunas, que, mesmo ocultas pela escuridão, nos davam a sensação de estar em um deserto, com jegues por toda parte. Na entrada da vila, para estadias de até dez dias, os turistas devem pagar uma taxa de R$41,50. Símbolo da cultura nordestina, em Jeri os jumentos estão por toda Hoje, Oswaldo é gerente da Pousada parte. No início de 2024, a Prefeitura proibiu o uso dos animais para fins turísticos, como passeios em charretes.
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A Pousada Ibiscus foi o oásis que nos recebeu em Jericoacoara. As suítes climatizadas pareciam fazer questão de nos lembrar o tempo todo onde estávamos: varanda com rede, paredes coloridas e ornamentação rústica. Ao amanhecer, um delicioso café — até hoje salivamos ao lembrar das panquecas mista e de goiabada. O réveillon de 2009 marcou a vida de Oswaldo Leal: não só foi o início de um novo ano como também de uma nova vida para ele. Em 1º de janeiro, o engenheiro de software chegou na pacata vila, oriundo de São Paulo. Depois de atender grandes clientes em sua empresa, como a Rede Globo de Televisão, decidiu que era hora de inverter os papéis: queria trabalhar para viver e não viver para trabalhar.
“Meus colegas diziam que ia ser só um ano sabático... faz 15 anos que estou aqui”, comenta rindo. Ibiscus e nos recebeu com um sorriso no rosto. Sob o teto de uma marisqueira local, Oswaldo passou os primeiros meses em Jeri totalmente imerso na cultura da vila, talvez por isso tenha se tornado uma rara exceção que espera e trabalha para que Jericoacoara não perca sua essência, mesmo com o turismo e a população em crescimento constante. Segundo Leal, que também é diretor do CEJ - Conselho Empresarial de Jericoacoara, a vila passou de 1,5 mil habitantes em 2009 para quase 5 mil atualmente, um crescimento de mais de 200% em 15 anos.
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“Quando eu cheguei aqui e saía às 7h da manhã, era comum andar por muito tempo sem cruzar com ninguém. A proporção entre os turistas era 80% de estrangeiros e 20% de brasileiros. Hoje inverteu”, reflete. Ele enfatiza que os estrangeiros vêm em busca de atividades esportivas, enquanto o brasileiro está à procura de lazer. Entre os moradores mais antigos do local, há um dito popular: “Jeri não é Ibiza”. Isso porque não adianta querer descaracterizar as construções de Jeri com pinturas em tons sóbrios, como na ilha espanhola, ou buscar grandes agitos. A cultura de Jericoacoara é outra, e nem por isso é melhor ou pior que Ibiza. Só diferente.

Mas isso não quer dizer que a vida noturna não tenha opções: com bares de música ao vivo, barraquinhas de bebidas na praia e espaços sofisticados, Jeri consegue agradar diversos perfis de turistas.
O destino cearense guarda diversas possibilidades de passeios. Virgílio Baia de Melo, presidente da Cooperativa de Transporte de Turismo Jericoacoara (CooperJeri), revelou que o passeio no sentido leste (rumo à Praia do Preá) é o mais procurado pelos turistas e custa cerca de R$ 600, em formato privativo. Na primeira parada, a Árvore da Preguiça, famosa pelo seu formato, dá a entender que também não resistiu aos encantos da região e está relaxando — na verdade, o vento é tanto por aqui que moldou a estrutura sobre a areia, criando a ilusão da árvore deitada se espreguiçando ao sol. Já na Praia do Preá, na cidade de Cruz, que também faz parte da Rota das Emoções, vizinha de Jeri, o famoso Buraco Azul foi a nossa segunda parada. A entrada ao complexo custa R$ 20, com possibilidade de meia-entrada.

A atração ganhou holofotes nacionais quando o ator Bruno Gagliasso postou uma foto no local em 2019. Resultado de escavações na terra, o Buraco tem água azul turquesa e o banho é liberado. Há um restaurante, lojas e até a possibilidade de passeio de helicóptero com custo extra. O cenário rende boas fotos para os turistas.
Para o almoço, a escolha foi o Caranguejo do Tobias, onde nosso paladar foi presenteado com sabores frescos e deliciosos. Proprietário do local, Tobias nos recebeu com um sorriso no rosto e, nas mãos, o Chandon de Caju, bebida alcoólica com raízes nos rituais indígenas, feita por fermentação da fruta tropical. “Me dêem licença, meu negócio é abordar carro na estrada”, disse Tobias, indo até a parte externa do estabelecimento, para abordar carros com possíveis clientes que saíam do Buraco Azul. Antes do restaurante ser sediado próximo ao Buraco Azul, as delícias de Tobias tinham sede na Lagoa do Paraíso, no mesmo local onde hoje está o Alchymist Beach Club.
O cardápio do restaurante é vasto e, apesar do nome promover a caranguejada, algumas pessoas elegem a moqueca de arraia como a melhor escolha. Na dúvida, optamos por um pouco de tudo: moqueca, polvo e sururu. Os pratos variam de R$ 40 a R$ 220. “O prato mais difícil de achar o ponto é o polvo”, disse Tobias, que, além de proprietário, conduz a cozinha do local. Ele acertou o ponto e trouxe à mesa um verdadeiro banquete com cara de casa, mas com o requinte de uma boa comida feita com amor.
O que amenizou a dor de ter de partir foi chegar à Lagoa do Paraíso. Além do badalado Alchymist Beach Club, a lagoa guarda outros estabelecimentos em sua margem, como o Restaurante Lua Cheia. Ver redes armadas na lha também dentro da lagoa foi como enxergar uma miragem.
Era um dia de semana, o local estava tranquilo, mas aos fins de semana o número de clientes costuma aumentar. Vale a pena passar uma tarde no local, entre mergulhos, refrescos e sabores. No cardápio, há petiscos, drinks e pratos com frutos do mar que variam de R$ 29,99 a R$ 229,99. Mais cedo, Oswaldo, gerente da Pousada Ibiscus, havia comentado que precisávamos conhecer a cena gastronômica de Jericoacoara.

Respondemos que íamos ao Ello, restaurante do chef Hervé Witmeur. “Vocês vão simplesmente ao melhor”, disse. É inevitável criar expectativas ao ouvir isso, mas todas se superam.
O menu degustação “Da Fazenda ao Mar” é uma viagem sensorial que nos permite experimentar diversos sabores pela primeira vez, mesmo com ingredientes já conhecidos pelo paladar. São seis etapas que nos levam ao que há de melhor na culinária brasileira.
Ao deixar a vila de Jeri, novamente em um 4x4, tivemos a experiência que completou nossa chegada. Se durante a ida à noite não vimos a magnitude do Parque Nacional, ao voltar pela manhã pudemos compreender o tamanho das belezas naturais. A vista se perde nas dunas e a claridade pode até machucar um pouco os olhos desprotegidos, mas logo chegamos em Jijoca e então partimos rumo ao Piauí.
De ônibus, fomos de Jijoca à Camocim, outra cidade incluída na Rota das Emoções, de onde partimos em seguida num outro ônibus para Parnaíba. O sol se punha quando chegamos ao destino piauiense, e fomos surpreendidos por um clima fresco e com vento, ao contrário do que imaginávamos. “Aqui é mais arejado do que na capital, em Teresina”, disse o motorista de aplicativo nos levando ao hotel. Inclusive, lá o aplicativo de transporte mais comum é o Ubiz Car.
Descansar um pouco? Não é preciso, já que viemos dormindo nos ônibus. Fomos ao Mangata, restaurante de carnes e frutos do mar que nos foi recomendado. Mais uma noite de bons pratos e bebidas saborosas. Os preços nos agradaram bastante: era possível jantar a dois gastando menos de R$ 100. Retornamos ao hotel a pé e com brisa fresca no rosto, nos sentindo muito seguros no trajeto. Além do policiamento, muitas pessoas caminhavam pela arborizada e iluminada Avenida São Sebastião, uma das principais da cidade.

“É, estamos no Piauí mesmo”, foi o que dissemos ao sentir o sol das 7 horas da manhã. Já estava quente, como em Fortaleza. Após o café, seguimos rumo ao centro histórico, onde visitamos o Museu do Mar. Com uma proposta pedagógica, o museu recebe diversas escolas, inclusive enquanto estávamos lá, para visitas guiadas. Nos juntamos aos alunos e aprendemos um pouco mais da cultura local, uma experiência enriquecedora.
Adriana Rocha, guia responsável pelo Adriana Rocha, guia responsável pelo projeto Na Mochila da Dri, há mais de 20 anos incentiva, em parceria com a Seduc, alunos da rede pública do Piauí a conhecer as belezas históricas e naturais da região. Para Adriana, Parnaíba “é uma das cidades mais importantes da Rota das Emoções”, e seus atrativos devem ser conhecidos por todos.
“Os visitantes se surpreendem ao chegar aqui, acham que vai ser mais uma cidade pequena, só com o Delta. Temos praias, história e arquitetura lindas”, conclui.
Para amenizar o calor, nos dirigimos à Sorveteria do Araújo, logo ao lado do Museu e tradicional na cidade. O valor depende da sua vontade, já que a sorveteria é no estilo self-service.
À tarde, escolhemos fazer o passeio ao Delta do Parnaíba, que fica a cerca de 15 km do centro da cidade. Há diversas agências e passeios pelo Delta, e a variedade de preços é considerável, então vale a pena pesquisar. Revoada dos Guarás e um passeio de catamarã pelo Delta são os principais. Mas ainda, um destaque para o Safári Noturno, recomendado por locais, quando é possível observar animais da região, como jacarés. ormação de ilhas e canais no encontro de um rio com o mar, um delta é sempre um deleite para os olhos. O do Parnaíba é o maior das Américas, com 2.700 km² e mais de 70 ilhas. No passeio da revoada dos Guarás, que sempre acontece ao pôr do sol, o privilégio é enorme: ver os pássaros de coloração vermelho pulsante cobrindo a copa verde das árvores. E a dica valiosa é: o passeio da revoada é como dois em um, já que se faz o passeio pelo Delta enquanto vemos a revoada. Escolha acertada.

O passeio da revoada custa em torno de R$ 200 por pessoa e tem duração de cinco horas. Já o do catamarã custa R$ 80 e faz um passeio lento, durando o dia todo com apenas uma parada. Para embarcar, é necessário ir ao Porto dos Tatus, mas normalmente todos os passeios já incluem o transfer do hotel até lá.
As primeiras duas horas do passeio são acompanhadas unicamente pela água e vegetação do Parque Nacional ao redor. O azul do céu, o verde das árvores e a cor escura da água lembram nossa pequenez diante da natureza. Por volta das 16h, a primeira parada: uma espécie de duna que também era ilha. Lá, a barraca de um morador local nos aguardava com bebidas para nos refrescarmos. Após as bebidas, subimos a duna gigante e pudemos ver o quão grande era o local onde estávamos.
A vista se perdia entre água, areia e árvores e alcançava o horizonte. Tudo muito e sem fim. Nesta parada, ficamos à vontade para andar pelas dunas e tomar banho. Na hora marcada, regressamos ao barco para iniciar o retorno, quando veríamos a revoada dos pássaros. Poucos minutos depois, paramos num local estratégico para a observação. Havia outras seis lanchas próximas com turistas, mas o silêncio era absoluto. Aos poucos, o azul do céu e o verde das árvores foi acompanhado pelo vermelho fluorescente dos guarás.
Era um espetáculo simples — pássaros voando para as árvores — mas simples o suficiente para emocionar: era rico, era brasileiro, era nosso. Imerso em um orgulho estonteante, me recordei do verso entoado por Elis Regina: “o Brazil não conhece o Brasil”. Não conhecemos, mas precisamos.
No mesmo barco que nós, estava o jovem Zach Spero, vindo de Melbourne, na Austrália, país conhecido por sua rica fauna e flora. “A natureza é toda muito maior, tudo é muito exuberante”, comentou quando perguntado sobre a natureza daqui e de lá. Apaixonou-se pelo país ao assistir o filme Rio (2011), e desde então sonhava em conhecer o Rio de Janeiro. Uma arara azul o fez apaixonar-se pelo Brasil e, anos depois, ali estava ele: num barco à espera de um pássaro alaranjado, adicionando vibrantes cores ao seu sonho de infância.
Chegamos ao porto à noite, todas as outras pessoas conosco estavam em completo silêncio. Acho que havíamos presenciado algo bonito demais para falar. Descemos e fomos levados de carro para nossas acomodações no centro de Parnaíba. Deitamos inebriados e acordamos ainda impactados.
A cidade também fica numa posição estratégica para quem deseja visitar três praias do pequeno litoral do Piauí: Luís Correia, Ilha Grande e Barra Grande. Ilha Grande e Luís Correia estão a 10 km de Parnaíba e Barra Grande a 70 km. Todas fazem parte da Rota das Emoções.

A disponibilidade de culinária riquíssima é, sem dúvidas, um destaque da rota. Uma dica é perguntar para moradores locais quais os restaurantes ou a comida característica da região, ou buscar no Google e TikTok lugares bem avaliados e recomendados. No nosso caso, a indicação se deu pela busca in loco. Inebriados com o calor que fazia em Parnaíba, saímos do Sesc Beira Rio a pé, já que o restaurante estava fechado, e fomos buscar um lugar no Calçadão Cultural, com vários restaurantes, que já havia sido indicado por pessoas locais para o jantar.
Mais uma cena que aparentava miragem: dentre inúmeros restaurantes fechados do Calçadão, um deles estava aberto, o Caranguejo Expresso. Simples, com cadeiras na calçada sob a sombra de árvores, era ideal pra nossa fome. Além disso, a cidade de Parnaíba é um dos maiores produtores nacionais deste marisco, famoso pela qualidade e frescor — pensamos ser mais uma escolha certa. Por indicação da atendente, optamos por uma torta de caranguejo tamanho P, sugerida para duas pessoas, mas que servia tranquilamente três.
Só durante o período em que estivemos lá, três pessoas encomendaram a torta para viagem.À noite, tendo feito o check-out do hotel e esperando o horário do ônibus que nos levaria para São Luís, no Maranhão, optamos por um charmoso barzinho chamado Cajuína. Os versos de Caetano Veloso, da música de mesmo nome, não saíram de nossa cabeça enquanto estávamos lá — ainda que, no ambiente, dentre a ótima seleção de música brasileira, esta não tenha tocado.
Chegamos à rodoviária e embarcamos. É sempre um momento de relaxar quando o conforto dos assentos nos dá quase um abraço. A brisa fresca em nada lembrava a força do sol de apenas algumas horas antes, e nos despedimos de Parnaíba com um gostinho de quero mais.
Temos certeza que as paisagens das estradas que nos levaram ao Maranhão são belíssimas, mas, como dormimos durante quase todo o trajeto de nove horas, é das poltronas que podemos falar melhor. A discrepância do nível de conforto de uma viagem de ônibus com o aperto que passamos em aviões é gigantesca.
De São Luís, nesse momento, conhecemos apenas a rodoviária, onde tomamos um caldo de ovos que nos deu força até a chegada em Barreirinhas, depois de mais um ônibus.
Já no desembarque do ônibus em Barreirinhas, uma das “cidades-porta” para os Lençóis Maranhenses, fomos abordados por pessoas oferecendo nos levar às lanchas que partem com destino à Atins. Em comparação com nossa pesquisa prévia, os preços estavam inflacionados, então optamos por ir ao porto. Dos R$ 120 cobrados por pessoa inicialmente, chegamos a outro paraíso dos Lençóis Maranhenses após cerca de 50 minutos nas águas do Rio Preguiças, cada um pagando R$ 100. Normalmente, o valor já inclui o traslado de carro ao hotel em Atins.

Ao descer da lancha, a picape já esperava para levar os passageiros às suas hospedagens. Em menos de cinco minutos, chegamos à Casa Acquamarina, pousada administrada por Peter Nöldner, o alemão mais brasileiro. Fomos recebidos como na casa de familiares, tamanha atenção e cuidado. Nosso almoço foi na casa: delicioso espaguete de camarão ao pesto. Haviam nos alertado sobre preços elevados das comidas em Atins, então foi uma grata surpresa pagar R$ 50 pelo prato individual. Mas, vale considerar que era baixa estação e os preços em toda Atins variam de acordo com as águas. Estão cheias? Preços maiores.

A praia de Atins é tranquila e ainda mantém sua essência de vila de pescadores, com muitos barquinhos parados na orla e outros com pescadores cumprindo sua função. Há beach clubs, barracas de praia e restaurantes ao pé da areia.
A orla parece ganhar novos ares a cada uma de suas “etapas”:
Em Atins estamos sobre dunas, e a areia faz com que nosso passo desacelere, nos deixando em sintonia com o espaço. Quadriciclos transportam as pessoas, visto que pequenas distâncias tornam-se longas pelos passos lentos na quente areia. É um vilarejo pequeno, sem muitos postes e fiação elétrica a manchar o céu. À noite não vemos muitas pessoas, há silêncio e ouvimos os sons do lugar. É quase uma viagem no tempo, você se sente diante de um lugar que ainda não sofreu as transformações que o turismo traz. Ainda assim, você encontra uma cervejaria artesanal, onde experimentamos a deliciosa IPA da casa.
Seguindo as recomendações dos locais, fomos curtir a sexta à noite em um forró no Maria Bonita. “Todos aqui estão esperando essa festa”, comentaram. Não parecia haver muito movimento, pelo menos na época em que fomos, e um evento assim reunia a todos. Muita música boa, comidinhas e bons drinks nos acompanharam durante a noite, que não se alongou porque às 4 horas da manhã nos buscavam na pousada para irmos ver o nascer do sol no Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses.
Estava nublado quando começamos o passeio, mas isso não nos impediu de ver a vastidão de dunas e o quão grande é o parque. São 155 mil hectares, afinal (cada hectare tem 10.000 m²). O sol surgiu após certo tempo e começou a colorir as dunas, criando um espetáculo dourado ao nascer. Nosso guia nos levou por entre as dunas até encontrar uma lagoa cheia, onde paramos e nos banhamos. Aquele deserto era só nosso, e estar diante de tamanha imensidão nos lembra o quão pequenos somos.
Uma experiência marcante, sem dúvidas. Ficamos com vontade de ver também o pôr do sol, mas deixamos para a próxima vez — é sempre bom deixar algo para uma nova visita, um pacto íntimo que fazemos com lugares que queremos voltar.
Voltamos à Casa Acquamarina em tempo do café da manhã, que se tornou o melhor de nossas vidas. Tudo estava fresco: o pão de fermentação caseira, o legume colhido na horta ao lado naquele instante, a geléia feita dos frutos colhidos. Um verdadeiro banquete sensorial, tanto que optamos por não pegar a lancha de volta no dia seguinte pela manhã, e escolhemos o horário da tarde. Escolhemos, mas não reservamos. Ainda que à frente de nosso quarto houvesse um aviso alertando sobre a necessidade de reservar com antecedência devido às poucas vagas.
Permitimos nos relaxar, só para depois descobrir que — se ao menos houvesse uma placa avisando... — não havia mais vagas. Passamos a tarde pela orla e caminhamos para ver o pôr do sol em um extremo da praia. Visuais de outro planeta.
À noite fomos jantar na Casa de Juja, restaurante local que recebe a maioria dos turistas em busca de pratos mais trabalhados. Optamos pelo mais pedido da casa: uma tábua com camarão, lagosta e peixe, e seus acompanhamentos. Estava saboroso, mas depois de tantas delícias que havíamos provado em toda a viagem, e em Atins, não se destacou. Voltamos para a Casa ainda sem saber como partir da ilha no dia seguinte.

Ao acordar, fomos direto ao café da manhã, afinal era por isso que ainda não sabíamos como voltar. Comentamos com Peter, que entre risos ao saber o motivo de nossa permanência, tentou nos ajudar. Entrou em contato com outras pousadas para ver se havia algum turista tentando voltar, mas sem sucesso. Conseguimos reservar uma lancha que faria o trajeto nos cobrando R$ 700. O café da manhã, ainda que divino, estava nos saindo mais caro do que o esperado.
Estávamos almoçando, precisamente às 13:17, quando recebi a ligação da pessoa responsável por conseguir a lancha dizendo que não estava conseguindo localizar uma — todas estavam ocupadas — e nos recomendou tentar conseguir alguma das lanchas que partiam às 13:40. Por sorte, as malas já estavam feitas. Engolimos a comida, paramos um quadritáxi em sua frente e imploramos para que passasse em nossa pousada e nos levasse ao porto. Conseguimos.
Não havia sinal de internet para se comunicar com o rapaz que nos ajudava, e não sabíamos seu nome. As lanchas estavam de fato lotadas, nenhuma com vaga. Mas há algo cósmico que ajuda todo viajante, e dessa vez não foi diferente. Um barqueiro chamou e disse que nos levava à Barreirinhas, estava indo buscar um grupo em uma pequena ilha próxima. Por R$ 70 individuais fomos levados e chegamos a tempo do nosso ônibus para São Luís, exaustos, e novamente acordamos somente em nosso destino.
De São Luís partimos de volta a Fortaleza, em uma viagem de 19 horas que a princípio nos assustou devido à duração. Como nas outras, o conforto fez com que não sentíssemos o peso do tempo. Entre sono, músicas e filmes, viajamos 900 km, cheios de emoções na bagagem.
Como Chegar
De ônibus
De Jericoacoara a Parnaíba, há serviços de ônibus e vans integradas, com duração média de 5h. a cidade é o principal acesso ao delta do Parnaíba.
De Parnaíba a Barreirinhas, o trajeto leva cerca de 6h, e de lá é possível pegar um transfer fluvial ou terrestre até atins, no coração dos lençóis maranhenses.
Onde Ficar
Jericoacora
Pousada Ibiscus
pousadaibiscus.com.br/Parnaíba
Pousada Vila Cajuína
@vilacajuinaparnaibaatins
Casa Aquamarina
@casa_acquamarinaOnde Comer
Jericoacora
Tobias Restaurante
@tobiasrestaurante_preaEllo Restaurante
@ellorestauranteParnaíba
Restaurante Mangata
@restaurantemangataCaranguejo Expresso
@carang.expressoBar Cajuína
@cajuinabarAtins
Casa da Juja
@casadejujaatinsRestaurante Barquito
@barquitoatinsRestaurante Cabana do Peixe
@cabanadopeixe_maO CEARÁ TECIDO À MÃO
Percorremos comunidades, vilas, bairros e cidades para reconhecer seus verdadeiros tesouros: mestres da cultura, festas que unem gerações, paisagens que moldam pertencimentos, receitas e artes que mantêm viva a memória de um povo. Mostrar o Brasil que se revela no cotidiano das pessoas e nas tradições populares que resistem.
Cada edição do projeto é um convite a viajar atentamente ao que é verdadeiro, autêntico e extraordinário nas histórias dessas pessoas que tecem artes e levam ao mundo seus trabalhos artísticos. Patrimônios da Minha Terra celebra quem somos e o que jamais deixamos de ser.
Este projeto é patrocinado pela Assembleia Legislativa do Estado do Ceará, Expresso Guanabara e Grupo Marquise.



O Ceará é uma terra que projeta talentos para muito além de suas fronteiras. Poucos ofícios representam isso tão bem quanto as rendas. São milhares de artesãs espalhadas pelo Estado, tecendo beleza e identidade que atravessam o Brasil e chegam ao mundo.
Em Trairi, mais de 5 mil artesãs trabalham com renda, fazendo do município um dos com maior número de rendeiras do Estado. Como já destacou em uma fala pública sobre a tradição do bilro em sua comunidade, Mestra Raimundinha afirma:
“Trairi é terra de sol, praia e vento, não vamos deixar morrer a cultura da renda com o tempo”.


Em Aquiraz, no Ceará, antes que o sol doure as telhas, já tem mulheres ajeitando a almofada de bilro na porta de casa, soprando o pó da mesa, puxando o fio como quem chama a memória de volta.
A renda de Bilro, por exemplo, não começa no bilro. Começa na observação e na herança. Em Aquiraz, como já descreveu Maria Cleide dos Santos, presidente da Associação das Rendeiras da Prainha, em um relato publicado:
“Renda é cultura que você faz com gosto, com amor. Às vezes, doem as costas do movimento, mas é uma terapia muito boa. Você esquece de tudo”.

Ainda menina, Cleide Costa descobriu a renda observando a mãe trabalhar na almofada. O som dos bilros e a delicadeza do desenho que surgia a encantaram cedo, um fascínio que a acompanhou pela vida inteira. Também integrante da Associação de Rendeiras da Prainha, ela participou da criação das peças que compuseram a árvore de Natal exibida pela CeArt em 2023, um trabalho coletivo que reuniu dezenas de rendas em diferentes formatos. Como ela mesma já contou em uma entrevista institucional sobre sua trajetória:
diz a rendeira de Aquiraz.“Eu sempre fui uma menina curiosa e a renda foi uma paixão à primeira vista, um caso de amor que dura até hoje e vai ser para sempre”
E há a Renda Labirinto, forte em comunidades como as de Aracati e Fortim. Técnica que exige o gesto de desfazer para criar, de abrir o tecido para que a arte se revele. O trabalho poético da labirinteira, reconhecido como Patrimônio Cultural do Ceará, começa com o ato de desfiar o tecido, transformando o pano bruto em uma tela vazada, antes mesmo de bordar os desenhos. É um processo que inverte a lógica da construção, como bem observado em um estudo sobre a técnica:
"O trabalho poético da labirinteira, a rendeira da tipologia labirinto, começa não no fazer, mas no desfazer. É sobre uma grade que ela abre vazios sobre tecidos planos de linho e algodão, e com os motivos escolhidos, tomam forma desenhos delicadíssimos." Observação sobre a Renda Labirinto, Aracati. Fonte: Documentário "Travessias Artesanais | Labirinto - Filme", Catarina Mina, 2022.
A técnica também movimenta a economia local. Muitas famílias têm no Labirinto uma importante fonte de renda. O processo é cuidadoso e demanda tempo, o que valoriza ainda mais cada peça produzida. Mesmo com a chegada de novas atividades e mudanças no mercado, o saber tradicional continua sendo preservado e repassado entre gerações.

Já a Renda de Filé, presente com força em comunidades do litoral, como Cascavel e Jaguaribe. Uma técnica que nasceu das mãos dos pescadores que remendavam redes e que, com o tempo, ganhou novos significados nas mãos das artesãs. Ali, o gesto de tecer virou sustento, tão fundamental quanto o bilro, e é justamente esse aspecto que tantas artesãs reconhecem em suas trajetórias.
A rendeira Gracilda da Cunha, em entrevista sobre sua trajetória, contou:
“Aprendi a fazer renda com a minha mãe e hoje sigo fazendo o trabalho que ela tanto amava. Já trabalhei em outras coisas, mas logo voltei para a renda, que é minha vocação”

No sertão mais seco, onde o terreno é exigente e cada recurso é cuidadosamente aproveitado, o artesanato encontra na Palha de Carnaúba uma matéria-prima precisa. Em municípios como Itapipoca, Irauçuba e Pentecostes, mulheres colhem, limpam e trançam a fibra da árvore-símbolo do Ceará, transformando-a em cestos e bolsas que guardam mais do que objetos: guardam autonomia e permanência.
E, como já contou em uma fala pública sobre seu ofício, a rendeira Cleide Costa diz:
“A renda não é só um trabalho que me traz retorno financeiro, ela é principalmente o meu desestresse. Aqui com a minha almofada eu esqueço de todos os problemas. O barulhinho dos bilros e as linhas e cores que vão criando novos desenhos e formas vão me dando sempre novo ânimo”.
O crochê, presente em tantas localidades do Estado, também segue esse caminho de delicadeza e resistência. Começa pequeno, num nó simples, mas abre destinos inteiros. Para muitas artesãs, o fazer é terapia, é pausa, é reconquista do próprio tempo.

Essas técnicas — bilro, filé, palha, crochê, labirinto, marchetaria — partem de materiais distintos, mas compartilham a mesma matéria-prima essencial: o tempo. Tempo como método, como cuidado, como lembrança de que nada que importa nasce depressa.
E é nesse território do tempo que se tece a grande rede de vida e trabalho que atravessa o Ceará. Mulheres — e alguns homens — que encontraram no fio uma forma de futuro. Do litoral ao sertão, rendeiras, crocheteiras e trançadeiras sustentam a continuidade do saber.
Nos últimos anos, iniciativas regionais e coletivas passaram a registrar essa trama como legado vivo. A marca Catarina Mina, por exemplo, uniu design e tradição para devolver autoria às artesãs, incluindo nas peças um QR Code que apresenta quem está por trás de cada criação. É o reconhecimento do processo, do cuidado, da mão que conduz o fio.

A Célula de Impacto Socioambiental Positivo da Catarina Mina vem mapeando, de Fortaleza às comunidades do litoral e do sertão, histórias, desafios e transformações que o artesanato provoca. Os números impressionam: 450 artesãos, 99% mulheres, quase mil pessoas impactadas quando se contam filhos, netos e companheiros. Mas o que move a rede não são os números, são os relatos.
Histórias de autonomia, de renda própria, de retomada da autoestima. De mulheres que passaram a se reconhecer como guardiãs de um saber.

Ainda assim, o protagonismo permanece onde sempre esteve: no trabalho das mãos. São elas que cruzam bilros com precisão, trançam palha no sertão, organizam fios, reformam técnicas e mantêm vivo um conhecimento que atravessa gerações.
Preservar o artesanato significa preservar essa cadeia humana. É garantir que meninas continuem aprendendo com suas avós, que vizinhas sigam repassando o ponto e que oficinas permaneçam como espaços de formação, renda e apoio comunitário. É, sobretudo, assegurar que as artesãs continuem tendo autonomia sobre o próprio trabalho e sobre o caminho que constroem.
“Nosso encontro com as artesãs percorre um longo caminho - com troca de experiências e conhecimentos - por meio de uma metodologia própria, em uma relação que transcende a produção. Tudo feito de forma colaborativa, entendendo a singularidade de cada grupo e de cada fazer artesanal.”
descreve Rede Artesol sobre o impacto da Catarina Mina.
Maria Cleide dos Santos
Fotos: Beatriz Souza e Drawlio Joca / Governo do Estado do CearáRenda de Bilro
Localidade: Prainha, Aquiraz – Litoral Leste
Biografia: Começou aos 7 anos, lidera a Associação de Rendeiras da Prainha e faz do bilro fonte de renda e bem-estar.
Citação: “Renda é cultura que você faz com gosto… é uma terapia muito boa.”
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Inocência Mendes (Dona Nega)
Foto: DivulgaçãoCrochê e trançado de palha de carnaúba
Localidade: Aracatiaçu — Sobral (Interior do Ceará)
Biografia: Começou a trabalhar com a palha de carnaúba e crochê aos 7 anos. Está cadastrada na rede de cerca de 450 artesãos vinculados à Catarina Mina.
Citação: “Foi com o artesanato que criei meus filhos.”
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Mestra Raimundinha (Raimunda Lúcia)
Foto: DivulgaçãoRenda de Bilro
Localidade: Canaã, Trairi – Litoral Oeste
Biografia: Mestra da Cultura, rendeira desde criança, preserva a tradição local e ensina novas gerações na comunidade.
Citação: “Trairi é terra de sol, praia e vento, não vamos deixar morrer a cultura da renda com o tempo.”
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Maria Helena Angelina (Dona Boba)
Foto: Lia de Paula / Rede ArtesolPalha de Carnaúba
Localidade: Cabreiro, Aracati – Litoral Leste
Biografia: Há mais de 36 anos trabalha com palha de carnaúba e é referência na comunidade, onde incentiva outras mulheres.
Citação: “A palha significa pra mim a minha história.”
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CEART
A CeArt — Onde o Saber Encontra Caminho
A CeArt, Central de Artesanato do Ceará, é o coração que pulsa tradição e também o sistema que faz essa tradição circular, chegar, permanecer. Num estado onde o fazer nasce nas varandas do litoral, nas manhãs de bilro em Trairi, nas tranças de palha do sertão e no barro quente do Cariri, a CeArt atua como um marketplace público moderno, capaz de transformar saber ancestral em oportunidade econômica real. Ela organiza, certifica, distribui. Conecta quem cria a quem procura. Alinha a delicadeza do gesto artesanal ao ritmo contemporâneo do mercado.

Não é apenas uma instituição do Estado: é uma plataforma de acesso. Quando acolhe uma peça, acolhe também o caminho de quem a fez. Examina, valida, garante origem e autenticidade com o Selo CeArt, um passaporte que assegura valor justo, identidade cultural e respeito ao tempo do fazer.
Hoje, 20.303 artesãos estão cadastrados na CeArt, uma constelação de mãos que sustentam o patrimônio imaterial do Ceará. Só em 2025, já foram emitidas 1.023 identidades artesanais, documento que dá acesso à isenção de ICMS, participação em feiras, formação continuada e hospedagem na Casa do Artesão Cearense. É o Ceará garantindo que a artesã não caminhe sozinha, que o fazer tradicional encontre escala sem perder a alma.
Nas lojas físicas, o barro do Cariri divide prateleira com o labirinto de Aracati; a palha de Aracatiaçu conversa com o crochê de Russas; o bilro de Aquiraz dialoga com novas linguagens de design. E tudo isso chega ao público não apenas como objeto, mas como história preservada, trabalho valorizado e futuro possível.
Criada em 1979, a CeArt existe para que o artesanato encontre mercado, para que o mercado encontre sentido e para que o Ceará não perca o fio da própria identidade.
SERVIÇO — ONDE ENCONTRAR A CEART
Rede de artesãos
- 38.961 artesãos cadastrados;
- 1.023 identidades artesanais emitidas em 2025;
- Benefícios: isenção de ICMS, capacitações, participação em feiras, rota de comercialização, hospedagem na Casa do Artesão Cearense.

Lojas físicas
Além da unidade do RioMar Fortaleza, a CeArt mantém pontos de venda em diferentes regiões do Estado — e até fora dele:
- Galeria Mestre Noza – Praça Luiza Távora (Fortaleza)
Funcionamento: segunda a sábado, das 8h às 19h. - Shopping Aldeota (Fortaleza)
Funcionamento: segunda a sábado, das 10h às 21h. - Aeroporto Internacional de Fortaleza – Pinto Martins
Área de embarque e desembarque | Funcionamento diário, das 8h às 19h. - Aeroporto Internacional de Fortaleza – Pinto Martins
Área de embarque e desembarque | Funcionamento diário, das 8h às 19h. - Arena Romeirão (Juazeiro do Norte)
- Centro Multifuncional de Juazeiro (Juazeiro do Norte)
- Shopping Alphaville Barueri (São Paulo)
A CeArt também possui plataforma digital, onde é possível comprar produtos de artesãs e artesãos de todo o Ceará:
http://www.lojaceart.online
Pipa em Três Atos: Sabores, Noite e Aventura
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A aldeia de Pipa se transformou em um hotspot vibrante. O centro da cidade é um convite para o ócio criativo. Durante o dia, o ritmo é ditado pelas marés e pelo sol, com praias como a Baía dos Golfinhos e a Praia do Amor monopolizando a atenção. À noite, no entanto, as ruas de paralelepípedos se acendem. A atmosfera é elétrica, com gente de todo o mundo circulando e desfrutando da eclética cena noturna.

Essa dualidade entre o santuário natural e o polo cosmopolita é o grande charme que coloca Pipa em seu merecido lugar de destaque.
É nesse espírito que a Bon Voyage selecionou três trios de experiências para mergulhar no melhor que Pipa tem a oferecer: sorveterias artesanais que refrescam os dias quentes, bares e restaurantes que traduzem a cena gastronômica da vila e vivências únicas que unem aventura, natureza e cultura local.
3 Sorveterias Imperdíveis
Pipa é quente, e o sorvete é arte e alívio. A cultura da sorveteria artesanal é forte na região, destacando-se pela ousadia nos sabores e pela qualidade.
Frutos de Goiás:
Para quem busca um mergulho nos sabores do Brasil, esta sorveteria é uma parada obrigatória. Famosa por seus sabores inusitados feitos com frutas do Cerrado e da Amazônia, é o local ideal para provar o verdadeiro açaí, ou os sorvete de pequi e de jabuticaba (este último o meu preferido).
Preciosa:
Localizada em um ponto estratégico, a Preciosa oferece sorvetes de alta qualidade, com foco em sabores clássicos bem executados e opções mais elaboradas com toppings e complementos. É a escolha perfeita para um deleite pós-praia. De sorvete de queijo à vinho do porto, cada sabor é uma viagem sensorial.
Sorveteria Real De 14:
Com produção artesanal e ingredientes frescos, esta sorveteria se destaca pela cremosidade e pela variedade de sorbets. A experiência é complementada pelo ambiente charmoso, ideal para um momento de pausa.
3 Bares e Restaurantes para Conhecer
A cena gastronômica de Pipa é uma fusão de influências. Da cozinha nordestina à fusão contemporânea, o jantar é um evento social que se estende pela noite.
Agora:
O Agora é um ponto de referência para quem busca uma experiência gastronômica de alto nível com um toque de modernidade. O cardápio aposta em pratos contemporâneos, muitos à base de frutos do mar, harmonizando sabor e apresentação em um ambiente sofisticado e acolhedor.
O Tal Do Escondidinho:
O Tal Do Escondidinho é o refúgio perfeito para quem busca a autêntica cozinha nordestina com um custo-benefício imbatível. O cardápio é focado no prato que lhe dá nome, oferecendo versões fartas e saborosas que provam que é possível comer bem e de forma econômica em Pipa.Porca Vaca
O Porca Vaca é um ponto de excelência para os amantes de carnes e grelhados. Com um ambiente moderno e acolhedor, o restaurante se destaca pela qualidade dos cortes e pela cozinha contemporânea.3 Experiências para Viver em Pipa
Pipa é sinônimo de natureza, e suas atividades mais memoráveis envolvem o mar e as trilhas da região.
Caiaque e Golfinhos na Baía:
A experiência de andar de caiaque ou stand-up paddle na Baía dos Golfinhos é simplesmente mágica. Logo pela manhã, é possível avistar os golfinhos nadando livremente, muitas vezes bem próximos às embarcações, um espetáculo inesquecível de conexão com a vida marinha.
Explorar os Becos e o Calçadão:
A melhor forma de sentir o pulso cultural da vila é caminhar pelos bequinhos da cidade e se perder em meio à arte e natureza. Lojas de artesanato, galerias de arte escondidas, murais coloridos e a arquitetura charmosa se revelam a cada esquina, oferecendo oportunidades únicas de fotos e compras.
Trilha e Pôr do Sol no Santuário Ecológico:
Para fechar o dia com chave de ouro, dedique uma tarde para explorar o Santuário Ecológico de Pipa. As trilhas levam a mirantes naturais nas falésias, oferecendo vistas panorâmicas espetaculares da costa. O ponto alto é assistir ao pôr do sol no Chapadão, quando as cores vibrantes do céu pintam o oceano.
Como Chegar
De ônibus
De carro
Onde Ficar
Pousada Toa a Toa em Pipa
@pousada_toatoa_pipaOnde Comer
Frutos de Goiás
@frutosdegoiaspipaPreciosa Gelateria
@preciosagelateriapipaSorveteria Real de 14
@sorveteriarealde14Fortaleza, de água, vento e sal
Com 300 anos a serem completados no próximo 13 de abril, Fortaleza é onde um bode foi eleito vereador, como forma de protesto, em 1922; onde Alcione descobriu, emocionada, o falecimento do comediante Espanta; e onde Chico Anysio aprendeu a rir de si mesmo antes de ensinar o Brasil inteiro a fazer o mesmo. É a cidade que viu nascer José de Alencar, que escreveu a índia Iracema como símbolo do Ceará.

“no porto do ceará não embarcam mais escravos” disse o jangadeiro Francisco José do Nascimento, o Dragão do Mar, um dos responsáveis pelo Ceará tornar-se o primeiro estado a abolir a escravidão.
Nascido em Aracati e filho de pescadores, Chico da Matilde, como também era conhecido, liderou em 1881 uma greve histórica de jangadeiros que se recusaram a transportar cativos para os navios negreiros. Hoje, o Dragão do Mar - Centro de Arte e Cultura é um dos principais polos artísticos de Fortaleza, abrigando o último cinema de rua da cidade, o Cinema do Dragão. Com uma programação que destaca o cinema nacional e independente, o lugar é parada obrigatória, a pedida perfeita para um domingo à tarde. É no Dragão onde também está localizado o Museu de Arte Contemporânea do Ceará - MAC, espaço que fica a poucos metros da Biblioteca Pública Estadual do Ceará, a BECE, o que permite aos visitantes uma experiência cultural integrada completa.

No coração da cidade, o Centro é onde Fortaleza mostra sua cara mais antiga e mais viva ao mesmo tempo. A Catedral Metropolitana impressiona logo de longe, com suas torres góticas que parecem vigiar a praça. Ali perto, o Mercado Central é um labirinto de rendas, castanhas, redes e lembranças, um lugar sonoro e colorido onde o visitante se mistura com quem compra e vende há gerações. Entre um e outro, o Passeio Público oferece sombra de árvores centenárias, incluindo um Baobá, e bancos que convidam ao descanso, bem no meio do corre-corre urbano.
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De frente para esse jardim histórico está um espaço que junta passado e presente de um jeito saboroso: o Restaurante Aconchego, instalado dentro do Museu da Indústria. Depois de percorrer os corredores que contam como o Ceará se reinventou ao longo dos anos, o visitante pode sentar para provar pratos que usam ingredientes nordestinos com delicadeza e afeto. É aquele tipo de lugar em que a comida tem gosto de história, mas também de casa. O Cineteatro São Luiz é outro espaço histórico e de resistência cultural na cidade. Com programação diversa e acessível, muitas vezes gratuitas, o espaço oferece apresentações teatrais, musicais, circenses, audiovisuais e outras diversas manifestações artísticas.
O Theatro José de Alencar, distante poucos minutos de caminhada por entre as vielas cheias de lojinhas, fecha com chave de ouro a rota artística do Centro. E uma dica: na ida do São Luiz ao TJA, como é carinhosamente chamado o Theatro, não deixe de ir na Leão do Sul e tomar um caldo de cana enquanto come um pastel fresquinho. É a experiência completa do Centro.
A Cafeteria Santa Clara, na Praça Luíza Távora, é uma daquelas pausas que parecem suspender o tempo. Entre árvores frondosas e o vai e vem discreto do bairro, o café fica em um charmoso vagão antigo de trem e se tornou ponto de encontro de quem busca sossego e comida excelente no meio da cidade. Com almoço executivo e opções diversas de doces e salgados, o espaço é aquilo que todo viajante (e locais) amam.
À noite a cidade pulsa em diferentes bairros. A Praia de Iracema, tradicional reduto boêmio e casa do Centro Dragão do Mar, é onde grande parte das casas noturnas da cidade estão localizadas. Tem opção para todos os gostos, e o Fuzuê Club é um dos espaços mais ecléticos da região, com festas de diversos gêneros. Por alí é certo diversão até o sol nascer. Para quem quer algo mais tranquilo, com música, bebidas e comidinhas, a casa tem a sua versão Bar e Garden, no Meireles. Se a Praia de Iracema é o reduto dos clubs ecléticos, o Mormaço Bar, no bairro Aldeota, oferece um mergulho na cultura pop mais nostálgica e autêntica do Nordeste. Todas as segundas, o bar com sua estética acolhedora de casa de veraneio se transforma no templo da “Segunda do Brega”. É ali que a cidade celebra, sem pudor e com muita dança, o romantismo e os clássicos do Brega, do flashback dos anos 80 e 90 ao tecnobrega. É a pedida ideal para quem quer vivenciar o lifestyle local, bebendo coquetéis com infusões regionais em uma atmosfera calorosa e descontraída, provando que a diversão em Fortaleza realmente acontece todos os dias da semana.

De frente para o mar e no coração da cena turística de Fortaleza, o Sonata de Iracema é o tipo de hospedagem que dialoga com a própria cidade: acolhedor, cheio de vistas privilegiadas e a poucos passos do Dragão do Mar. É o lugar certo para quem quer dormir ao som das ondas e acordar já dentro da atmosfera cultural e noturna que marca a Praia de Iracema. O Hotel fica na Beira-Mar de Fortaleza, o grande cartão-postal da cidade e palco de atividades que não param do amanhecer até a noite. É ali que a cidade respira junto: às 5h da manhã, os primeiros corredores já dividem espaço com quem se aventura na canoagem ou no stand up paddle, enquanto no fim da tarde a orla vira passarela de caminhadas, rodas de capoeira e famílias inteiras aproveitando o pôr do sol.

O calçadão renovado, com ciclovia e feirinhas de artesanato, é um convite a se perder sem pressa. O Mercado dos Peixes, na altura do Mucuripe, é parada obrigatória: basta escolher os camarões frescos e entregar aos quiosques ao lado para que virem prato fumegante em poucos minutos, com vista para jangadas que ainda saem ao mar como há décadas. Já o Jardim Japonês, mais adiante, oferece um respiro tranquilo em meio à orla agitada.
Seguindo adiante pela orla, a cidade muda de tom e chega-se à Praia do Futuro, onde o mar é aberto, a areia é larga e as barracas viraram verdadeiros complexos de lazer. Ali, o dia inteiro é vivido em ritmo de festa: o Crocobeach é praticamente um parque aquático à beira-mar, com piscinas, palcos de shows e cardápio que vai do peixe grelhado à caipirinha colorida. Já o tradicional Chico do Caranguejo é ponto de encontro às quintas-feiras, quando o crustáceo vira protagonista e a música ao vivo embala a noite.

Diferente da urbanidade de Iracema e da Beira-Mar, a Praia do Futuro mantém o espírito mais solar e familiar. É onde moradores e turistas passam horas entre mergulhos, redes e pratos de frutos do mar, em um cenário que mistura descontração e infraestrutura. Do banho de mar ao banho de sol na espreguiçadeira, tudo aqui é pensado para que o visitante esqueça da pressa e deixe o tempo correr no compasso das ondas.
No Titanzinho, na Praia do Serviluz, o mar é escola e vitrine. Foi dali que saíram surfistas que levaram o nome de Fortaleza para o mundo, mas a energia continua no dia a dia: crianças aprendendo a remar, pranchas apoiadas nas calçadas, e a comunidade inteira respirando o ritmo das ondas. Aqui você pode fazer aulas de surf em diversas escolas e viver uma experiência realmente inesquecível. É dito por lá que você fica em pé na prancha já na primeira aula, e é verdade, a gente testou. Mas se o vento convida a sair da cidade, basta rodar menos de uma hora para chegar a Cumbuco, uma das melhores praias do mundo para o kitesurf. Ali, instrutores de várias nacionalidades dividem espaço com iniciantes e prof issionais, todos atraídos pela constância dos ventos alísios.

A Lagoa do Cauípe, nos arredores, é o paraíso de quem prefere treinar em águas calmas, um cenário que une adrenalina e contemplação. Para quem busca outro ritmo, há a rota silenciosa do Rio Cocó. Um passeio de barco pelo manguezal revela uma Fortaleza menos conhecida, feita de verdes fechados, garças em voo e o cheiro úmido da mata. O percurso desemboca na Sabiaguaba, tesouro de dunas e mar, onde pescadores mantêm viva a tradição e o visitante pode descansar em redes, caiaqueando ou apenas olhando o horizonte.

O Complexo Ambiental e Gastronômico da Sabiaguaba, com mariscos e frutos do mar frescos, completam a vivência. Nos últimos anos, Fortaleza também se afirma no calendário cultural com festivais que nasceram do vento criativo local. O tradicional Festival Elos acontece este ano nos dias 22 e 23 de novembro de 2025 no Aterrinho da Praia de Iracema, conectando coletivos, artistas e público em uma celebração da arte urbana, da música autoral e da experimentação. A programação gratuita conta com shows, feiras, oficinas e atividades ao ar livre. Já o Zepelim, programado para 15 de novembro de 2025 no Marina Park, promete 13 horas de música com atrações com Marina Sena, Anavitória e Luisa Sonza. Ambos festivais tem a cara de Fortaleza e movimentam a cultura e o turismo local anualmente.

Esses encontros reforçam como a cidade vai além das praias paradisíacas: o visitante encontra aqui uma Fortaleza pulsante, criativa e que transforma sua cena cultural em convite permanente. O turista que chega pela brisa do mar também descobre a energia das ruas, das praças e dos palcos, vivendo experiências que unem lazer e pertencimento. É nesse vai e vem entre cidade e natureza, entre vento e sal, que Fortaleza se revela inteira: moderna sem esquecer das raízes, acolhedora sem perder a força, e leve como a brisa que nunca deixa de soprar.
Como Chegar
De Ônibus
De Avião
Onde Ficar
hotel sonata de iracema
@hotelsonatadeiracemagood hostel e pousada
@goodhostelpousadaOnde Comer
aconchego
@euaconchegomormaço bar
@mormacobar
café santa clara (luiza távora)
@santaclaraluizatavora
leão do sul
@leaodosul
fuzuê bar e comidinhas
@fuzue.bar
mar de rosas
@nomarderosaCinema fora do eixo
O filme conta uma delicada história sobre as relações de vida entre um garoto queer de 11 anos, sua avó com Alzheimer e seu pai, um legítimo representante dos pais do interior, que lutam entre o afeto e a rigidez na criação dos filhos. Deberton já é um nome conhecido para quem gosta de tramas surpreendentes, e, ao mesmo tempo, profundas e divertidas, tendo lançado nos últimos anos filmes como Pacarrete e O Melhor Amigo.
Feito Pipa ainda conta com a direção de arte de Dayse Barreto, premiadíssima com o recente O Último Azul, de Gabriel Mascaro, vencedor do Urso de Prata no Festival de Berlim, um dos importantes festivais do cinema mundial. Depois de dez anos morando em terras sudestinas, a diretora retornou ao Ceará, seu estado natal. Para ela, há muitos anos os profissionais do Norte-Nordeste são referência de qualidade técnica e formativa. “Essa consolidação depende muito das políticas públicas voltadas para o audiovisual”, aponta. Dayse reforça que devemos pensar numa perspectiva não só da produção de filmes, mas também de todas as etapas que o contemplam: formação, exibição, pesquisa, distribuição, preservação. “No Ceará, estamos lutando pela criação da Ceará Filmes, uma empresa pública de audiovisual do Estado, para nos consolidarmos como um polo de produção do Brasil”.

O fortalecimento do setor fora do eixo Rio-SP vem ganhando cada vez mais expoentes. Um dos mais recentes impulsionadores é O Agente Secreto, filme do pernambucano Kléber Mendonça Filho, estrelado por Wagner Moura. Kléber já vinha fazendo a gente feliz com longas como Bacurau (2019), Aquarius (2016), O Som ao redor (2012) e também com documentários e curtas, como Recife Frio (2009). O Agente Secreto ainda não é oficialmente um concorrente ao Oscar 2026, mas já demonstrou no Festival de Cinema de Cannes, o mais importante do setor, que temos grandes chances de emplacar mais um gol na festa de Hollywood.

Diversão garantida
No gênero comédia um dos nomes mais lembrados é o de Halder Gomes, que, junto com o também realizador Edmilson Filho, trouxe produções como Cine Hollywood, O Shaolin do Sertão 1 e 2 e, mais recentemente, C.I.C. Central de Inteligência Cearense.

Para quem mora no Nordeste brasileiro, nada de novo no front. As produções do cinema vêm em alta desde o Cinema Novo, com Vidas Secas (Nelson Pereira dos Santos, 1963), Deus e o Diabo na Terra do Sol (Glauber Rocha, 1964) e Os Fuzis (Ruy Guerra, 1964), onde apresentamos dramas sociais pautados na nossa aridez sertaneja. Hoje destacam-se também produções de temáticas contemporâneas e olhar local.
Para quem quer se aventurar por cenários carregados de história, graça e força, fizemos uma seleção de alguns dos melhores filmes feitos por aqui. Vale conhecer e se unir à grande torcida para que nosso audiovisual siga crescendo, se eternizando e levando a cultura brasileira para o mundo.
12 Filmes imperdíveis
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Bacurau (2019) – Kleber Mendonça Filho & Juliano Dornelles
Onde assistir: Globoplay | Apple TV | Google Play
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O Auto da Compadecida (2000) – Guel Arraes
Onde assistir: Globoplay | Telecine | Apple TV | Google Play
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Aquarius (2016) – Kleber Mendonça Filho
Onde assistir: Globoplay | Apple TV | Google Play
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Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964) – Glauber Rocha
Onde assistir: Belas Artes À La Carte | Telecine
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Boi Neon (2015) – Gabriel Mascaro
Onde assistir: Netflix Brasil
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O Som ao Redor (2012) – Kleber Mendonça Filho
Onde assistir: Apple TV | Prime Video | Globoplay (varia por região)
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Pacarrete (2019) – Allan Deberton
Onde assistir: Prime Video | NOW/Claro Video | Apple TV

Cine Holliúdy (2012) – Halder Gomes (com Edmilson Filho)
Onde assistir: NOW/Claro Video | aluguel digital
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O Shaolin do Sertão (2016) – Halder Gomes (com Edmilson Filho)
Onde assistir: Netflix Brasil
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O Matador (2017) – Marcelo Galvão
Onde assistir: Netflix Brasil
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O Melhor Amigo (2025) - de Allan Deberton
Onde assistir: Prime Video e Apple TV
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C.I.C – Central de Inteligência Cearense (2025) – Halder Gomes & Edmilson Filho
Atualmente nos cinemas
ARTIGO PARADAS INTELIGENTES: COMO APROVEITAR AO MÁXIMO O TEMPO NA ESTRADA
Ao longo das minhas viagens, criei um método simples para transformar cada parada em uma experiência tranquila. Antes de sair de casa, separo uma pequena necessaire com tudo o que posso precisar:
- Itens básicos de higiene;
- Álcool em gel;
- Lenços;
- Uma toalha pequena;
- E o essencial para me refrescar rapidamente.
A verdade é que muita gente só começa a se organizar depois que o ônibus para. É aí que começa o tumulto: filas, atrasos e aquela sensação de que a viagem está sempre te empurrando para frente. A dica é simples e poderosa:
Esteja preparado e se antecipe: saiba onde o ônibus vai parar e já esteja pronto quando ele fizer a parada, isso garante mais tempo, mais conforto e menos ansiedade.
Onde parar bem: As redes que nunca decepcionam
Depois de muitos quilômetros de estrada, algumas redes de restaurantes se tornaram minhas favoritas pela qualidade do serviço e pela confiança que transmitem.
Nordeste: Grupo 2 Irmãos
Presente em várias rodovias da região, os restaurantes do Grupo 2 Irmãos são referência para quem viaja pelo Nordeste. Estrutura organizada, variedade de refeições, banheiros limpos e rapidez no atendimento são alguns dos fatores que fazem toda a diferença para quem depende do tempo exato estipulado pelo motorista.
Sudeste e Sul: Rede Graal
No Sudeste e no Sul, a rede Graal é praticamente uma instituição para viajantes. Além da qualidade das instalações, os pontos são estrategicamente localizados, o que ajuda empresas de ônibus e passageiros a cumprir horários com conforto e previsibilidade.
Para levar com você
Viajar de ônibus é viver a estrada em sua essência. E, como toda boa viagem, cada parada pode, e deve, ser um momento de respiro. Com organização simples e escolhas inteligentes, você transforma minutos apertados em pequenos intervalos de bem-estar. Prepare-se antes, desembarque com calma e aproveite cada parada como parte da jornada.
Dois dedos de prosa com Romeu Aldigueri
Qual foi a viagem pelo brasil que mais marcou a sua vida?
Foram as idas constantes à Granja, no interior do Ceará. Embora eu tenha nascido em Fortaleza, foi ali, naquela terra de carnaúbas, que aprendi o que é casa. Grande parte porque é a vida do meu pai. Cada ida contribuiu para o que sou hoje e a importância de nunca esquecer de onde a gente vem.
Existe algum lugar no país que faz você querer voltar?
Sempre volto à Granja com um sentimento de pertencimento difícil de explicar. É lá que estão minhas raízes, as lembranças mais fortes e as pessoas que me ajudaram a construir minha trajetória. Ali aprendi que gestão muda vidas. E Barroquinha, cidade da minha esposa, Tainah, também tem um lugar especial no meu coração.
“é no silêncio das cidades pequenas que a gente escuta o que realmente importa.”
Qual é a memória mais afetiva da sua infância?
As conversas com meu pai na calçada ao fim da tarde. Ele me ensinava sobre a vida com simplicidade e sabedoria. O amor dele pelos livros me marcou muito. Era um cientista. Um intelectual. Valorizava o saber.
“Carrego no peito cada tarde passada ao lado do meu pai — são lembranças que viraram direção para a minha vida inteira”
Que tipo de lugar desperta em você a vontade de ficar mais tempo?
Cidades pequenas, com praça central e bancos debaixo de árvores. Gosto de observar a vida passando devagar, ouvir as pessoas e conversar sem pressa com quem passa. E ver o futebol do Romeu Filho também me diverte.
Qual viagem recente dentro do brasil te fez olhar o país com outros olhos?
Uma delas foi visita ao interior do Pará. Vi de perto comunidades que, mesmo com pouco, constroem soluções criativas e solidárias. E uma outra foi Foz do Iguaçu, um lugar surpreendente para encantar todos os brasileiros e estrangeiros que passarem por lá. Lá senti muito perto a presença de Deus.
Como a política pode impulsionar o turismo no ceará?
O primeiro passo é investir em infraestrutura nas cidades menores. Quando levamos estradas, saneamento, sinalização e capacitação, abrimos caminho para que lugares incríveis se tornem destinos desejados. Isso gera emprego, movimenta a economia e transforma realidades locais. Meio ambiente também tem forte poder de atração e geração de empregos.
“Aprendi nas cidades do interior que política só tem sentido quando toca a vida real das pessoas — desenvolvimento não é discurso, é compromisso diário.”
Que papel o ceará pode ter nesse novo olhar do turismo?
Cada vez mais, o turista busca refúgios que o ajudem a desconectar da correria e das telas, e o nosso estado tem tudo o que ele procura: um litoral imenso e diverso, a história viva do sertão e o clima acolhedor das serras. Nossos parques também são incríveis. Nosso Governador Elmano de Freitas tem entendido bem esse movimento e trabalhado com sensibilidade para transformar vocações naturais em oportunidades de desenvolvimento.
Romeu Aldigueri é presidente da Assembleia Legislativa do Ceará. casado com Taináh é pai de Victor, Ligia, Clara, Julia e Romeu.


