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Nordeste

O Caribe Brasileiro

Pela primeira vez, o Nordeste se apresenta ao mundo como um único destino turístico, em uma estratégia histórica que une nove estados sob a mesma marca.
Por Fábio Campos
Tempo de leitura: 11 minutos


O turismo brasileiro vive um ponto de inflexão. Pela primeira vez na história, o Nordeste passa a ser apresentado ao mundo como um único destino. Essa virada estratégica foi apresentada em Lisboa, durante a BTL – Bolsa de Turismo de Lisboa, quando a Embratur e o Consórcio Nordeste lançaram a marca unificada da região. A decisão é histórica e tem um objetivo claro: projetar o Nordeste como um bloco capaz de competir de igual para igual com destinos já consolidados no mercado internacional, como o Caribe. Em entrevista exclusiva à Bon Voyage, o presidente da Embratur, Marcelo Freixo, resumiu a mudança de perspectiva. Para ele, o trabalho conjunto é a chave para o sucesso.




 

“Juntos, podemos construir o Nordeste enquanto um destino, transformando em produtos, gerando emprego e renda.”


 A unificação do Nordeste como destino não é uma simplificação, mas a valorização de sua rica e diversa identidade. Cada um dos nove estados tem um universo cultural próprio, com sotaques, ritmos e tradições que se complementam. A beleza do Maranhão com sua cultura ancestral e suas paisagens únicas; a da Bahia, em suas ilhas paradisíacas e na história de sua capital; a do Ceará, em seu litoral de ventos constantes. Cada um desses universos culturais se complementa, e é nessa união em que o Nordeste se fortalece como um todo. 
 

A força dos ventos e da hospitalidade 





De julho a janeiro, o litoral nordestino se transforma na meca mundial dos esportes à vela.  Os ventos constantes atraem milhares de turistas estrangeiros, sobretudo europeus, para a prática de kitesurf e windsurf em praias icônicas como Jericoacoara, Preá, Cumbuco (Ceará), São Miguel do Gostoso (Rio Grande do Norte) e Barra Grande (Piauí). Mais que um fenômeno climático, esses ventos se tornaram um ativo turístico global, associados a meses de céu limpo, mar convidativo e infraestrutura capaz de receber com padrão internacional.

E a hospitalidade nordestina ganha contornos sofisticados com empreendimentos que mudam a paisagem econômica da região. O Rancho do Peixe e o Vila Carnaúba, no Preá (CE), são exemplos de pousadas que unem o luxo despretensioso com o respeito pela cultura local. A sofisticação também brilha com o grupo Carmel, que oferece hotéis como o Carmel Taíba Exclusive e o Carmel Charme Resort, ambos no Ceará.

A Bahia se destaca com ícones de renome mundial, como o Uxua Casa Hotel & Spa e o Fasano Trancoso. Em Alagoas, o Kenoa Resort se consolidou como um dos mais desejados do Brasil. Já em Pernambuco, o Nannai Resort & Spa mantém sua posição de destaque entre os melhores do país. Tais empreendimentos mostram como o Nordeste começa a alinhar sua autenticidade cultural com infraestrutura de classe mundial.

 

Conectividade e oportunidade




A nova estratégia de promoção do Nordeste também é sustentada pela expansão da malha aérea. Lisboa, Paris  e   Madri   já  se conectam a diversas capitais nordestinas, facilitando o fluxo de turistas europeus. Com o Programa de Aceleração do Turismo Internacional (PATI), o governo investe R$ 63 milhões para atrair novos voos e gerar mais de meio milhão de assentos adicionais, priorizando o Nordeste.

A região do Caribe, que se consolidou após ampla promoção integrada, recebeu mais de 34 milhões de visitantes internacionais em 2024, enquanto o Brasil inteiro recebeu 6,6 milhões. O Nordeste tem todos os ingredientes para disputar esse mercado de forma competitiva: sol, ventos, mar, diversidade cultural e uma hospitalidade que é, por si só, um grande argumento turístico. O Brasil, enfim, começa a descobrir que já tinha em casa o seu próprio Caribe. Quem sabe um até melhor.
 
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