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Em viagens, uma boa seleção musical dá forma ao olhar, unindo as canções aos cenários. Por volta de 21h30, desembarcamos em Jijoca de Jericoacoara. O transfer para a vila já esperava os passageiros do ônibus. As bagagens, amarradas ao teto da picape, indicavam que uma nova experiência estava prestes a iniciar. Os veículos autorizados a entrar na Vila de Jericoacoara são apenas os 4x4 credenciados e o custo do traslado é de cerca de R$ 65. Ao entrar no Parque Nacional de Jericoacoara, nos bancos na carroceria da Hilux, o vento típico do local nos trazia o cheiro de caju, era outubro, um dos meses de safra da fruta.
Foram aproximadamente 45 minutos entre a vastidão das dunas, que, mesmo ocultas pela escuridão, nos davam a sensação de estar em um deserto, com jegues por toda parte. Na entrada da vila, para estadias de até dez dias, os turistas devem pagar uma taxa de R$41,50. Símbolo da cultura nordestina, em Jeri os jumentos estão por toda Hoje, Oswaldo é gerente da Pousada parte. No início de 2024, a Prefeitura proibiu o uso dos animais para fins turísticos, como passeios em charretes.
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A Pousada Ibiscus foi o oásis que nos recebeu em Jericoacoara. As suítes climatizadas pareciam fazer questão de nos lembrar o tempo todo onde estávamos: varanda com rede, paredes coloridas e ornamentação rústica. Ao amanhecer, um delicioso café — até hoje salivamos ao lembrar das panquecas mista e de goiabada. O réveillon de 2009 marcou a vida de Oswaldo Leal: não só foi o início de um novo ano como também de uma nova vida para ele. Em 1º de janeiro, o engenheiro de software chegou na pacata vila, oriundo de São Paulo. Depois de atender grandes clientes em sua empresa, como a Rede Globo de Televisão, decidiu que era hora de inverter os papéis: queria trabalhar para viver e não viver para trabalhar.
“Meus colegas diziam que ia ser só um ano sabático... faz 15 anos que estou aqui”, comenta rindo. Ibiscus e nos recebeu com um sorriso no rosto. Sob o teto de uma marisqueira local, Oswaldo passou os primeiros meses em Jeri totalmente imerso na cultura da vila, talvez por isso tenha se tornado uma rara exceção que espera e trabalha para que Jericoacoara não perca sua essência, mesmo com o turismo e a população em crescimento constante. Segundo Leal, que também é diretor do CEJ - Conselho Empresarial de Jericoacoara, a vila passou de 1,5 mil habitantes em 2009 para quase 5 mil atualmente, um crescimento de mais de 200% em 15 anos.
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“Quando eu cheguei aqui e saía às 7h da manhã, era comum andar por muito tempo sem cruzar com ninguém. A proporção entre os turistas era 80% de estrangeiros e 20% de brasileiros. Hoje inverteu”, reflete. Ele enfatiza que os estrangeiros vêm em busca de atividades esportivas, enquanto o brasileiro está à procura de lazer. Entre os moradores mais antigos do local, há um dito popular: “Jeri não é Ibiza”. Isso porque não adianta querer descaracterizar as construções de Jeri com pinturas em tons sóbrios, como na ilha espanhola, ou buscar grandes agitos. A cultura de Jericoacoara é outra, e nem por isso é melhor ou pior que Ibiza. Só diferente.

Mas isso não quer dizer que a vida noturna não tenha opções: com bares de música ao vivo, barraquinhas de bebidas na praia e espaços sofisticados, Jeri consegue agradar diversos perfis de turistas.
O destino cearense guarda diversas possibilidades de passeios. Virgílio Baia de Melo, presidente da Cooperativa de Transporte de Turismo Jericoacoara (CooperJeri), revelou que o passeio no sentido leste (rumo à Praia do Preá) é o mais procurado pelos turistas e custa cerca de R$ 600, em formato privativo. Na primeira parada, a Árvore da Preguiça, famosa pelo seu formato, dá a entender que também não resistiu aos encantos da região e está relaxando — na verdade, o vento é tanto por aqui que moldou a estrutura sobre a areia, criando a ilusão da árvore deitada se espreguiçando ao sol. Já na Praia do Preá, na cidade de Cruz, que também faz parte da Rota das Emoções, vizinha de Jeri, o famoso Buraco Azul foi a nossa segunda parada. A entrada ao complexo custa R$ 20, com possibilidade de meia-entrada.

A atração ganhou holofotes nacionais quando o ator Bruno Gagliasso postou uma foto no local em 2019. Resultado de escavações na terra, o Buraco tem água azul turquesa e o banho é liberado. Há um restaurante, lojas e até a possibilidade de passeio de helicóptero com custo extra. O cenário rende boas fotos para os turistas.
Para o almoço, a escolha foi o Caranguejo do Tobias, onde nosso paladar foi presenteado com sabores frescos e deliciosos. Proprietário do local, Tobias nos recebeu com um sorriso no rosto e, nas mãos, o Chandon de Caju, bebida alcoólica com raízes nos rituais indígenas, feita por fermentação da fruta tropical. “Me dêem licença, meu negócio é abordar carro na estrada”, disse Tobias, indo até a parte externa do estabelecimento, para abordar carros com possíveis clientes que saíam do Buraco Azul. Antes do restaurante ser sediado próximo ao Buraco Azul, as delícias de Tobias tinham sede na Lagoa do Paraíso, no mesmo local onde hoje está o Alchymist Beach Club.
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O cardápio do restaurante é vasto e, apesar do nome promover a caranguejada, algumas pessoas elegem a moqueca de arraia como a melhor escolha. Na dúvida, optamos por um pouco de tudo: moqueca, polvo e sururu. Os pratos variam de R$ 40 a R$ 220. “O prato mais difícil de achar o ponto é o polvo”, disse Tobias, que, além de proprietário, conduz a cozinha do local. Ele acertou o ponto e trouxe à mesa um verdadeiro banquete com cara de casa, mas com o requinte de uma boa comida feita com amor.
O que amenizou a dor de ter de partir foi chegar à Lagoa do Paraíso. Além do badalado Alchymist Beach Club, a lagoa guarda outros estabelecimentos em sua margem, como o Restaurante Lua Cheia. Ver redes armadas na lha também dentro da lagoa foi como enxergar uma miragem.
Era um dia de semana, o local estava tranquilo, mas aos fins de semana o número de clientes costuma aumentar. Vale a pena passar uma tarde no local, entre mergulhos, refrescos e sabores. No cardápio, há petiscos, drinks e pratos com frutos do mar que variam de R$ 29,99 a R$ 229,99. Mais cedo, Oswaldo, gerente da Pousada Ibiscus, havia comentado que precisávamos conhecer a cena gastronômica de Jericoacoara.

Respondemos que íamos ao Ello, restaurante do chef Hervé Witmeur. “Vocês vão simplesmente ao melhor”, disse. É inevitável criar expectativas ao ouvir isso, mas todas se superam.
O menu degustação “Da Fazenda ao Mar” é uma viagem sensorial que nos permite experimentar diversos sabores pela primeira vez, mesmo com ingredientes já conhecidos pelo paladar. São seis etapas que nos levam ao que há de melhor na culinária brasileira.
Ao deixar a vila de Jeri, novamente em um 4x4, tivemos a experiência que completou nossa chegada. Se durante a ida à noite não vimos a magnitude do Parque Nacional, ao voltar pela manhã pudemos compreender o tamanho das belezas naturais. A vista se perde nas dunas e a claridade pode até machucar um pouco os olhos desprotegidos, mas logo chegamos em Jijoca e então partimos rumo ao Piauí.
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De ônibus, fomos de Jijoca à Camocim, outra cidade incluída na Rota das Emoções, de onde partimos em seguida num outro ônibus para Parnaíba. O sol se punha quando chegamos ao destino piauiense, e fomos surpreendidos por um clima fresco e com vento, ao contrário do que imaginávamos. “Aqui é mais arejado do que na capital, em Teresina”, disse o motorista de aplicativo nos levando ao hotel. Inclusive, lá o aplicativo de transporte mais comum é o Ubiz Car.
Descansar um pouco? Não é preciso, já que viemos dormindo nos ônibus. Fomos ao Mangata, restaurante de carnes e frutos do mar que nos foi recomendado. Mais uma noite de bons pratos e bebidas saborosas. Os preços nos agradaram bastante: era possível jantar a dois gastando menos de R$ 100. Retornamos ao hotel a pé e com brisa fresca no rosto, nos sentindo muito seguros no trajeto. Além do policiamento, muitas pessoas caminhavam pela arborizada e iluminada Avenida São Sebastião, uma das principais da cidade.

“É, estamos no Piauí mesmo”, foi o que dissemos ao sentir o sol das 7 horas da manhã. Já estava quente, como em Fortaleza. Após o café, seguimos rumo ao centro histórico, onde visitamos o Museu do Mar. Com uma proposta pedagógica, o museu recebe diversas escolas, inclusive enquanto estávamos lá, para visitas guiadas. Nos juntamos aos alunos e aprendemos um pouco mais da cultura local, uma experiência enriquecedora.
Adriana Rocha, guia responsável pelo Adriana Rocha, guia responsável pelo projeto Na Mochila da Dri, há mais de 20 anos incentiva, em parceria com a Seduc, alunos da rede pública do Piauí a conhecer as belezas históricas e naturais da região. Para Adriana, Parnaíba “é uma das cidades mais importantes da Rota das Emoções”, e seus atrativos devem ser conhecidos por todos.
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“Os visitantes se surpreendem ao chegar aqui, acham que vai ser mais uma cidade pequena, só com o Delta. Temos praias, história e arquitetura lindas”, conclui.
Para amenizar o calor, nos dirigimos à Sorveteria do Araújo, logo ao lado do Museu e tradicional na cidade. O valor depende da sua vontade, já que a sorveteria é no estilo self-service.
À tarde, escolhemos fazer o passeio ao Delta do Parnaíba, que fica a cerca de 15 km do centro da cidade. Há diversas agências e passeios pelo Delta, e a variedade de preços é considerável, então vale a pena pesquisar. Revoada dos Guarás e um passeio de catamarã pelo Delta são os principais. Mas ainda, um destaque para o Safári Noturno, recomendado por locais, quando é possível observar animais da região, como jacarés. ormação de ilhas e canais no encontro de um rio com o mar, um delta é sempre um deleite para os olhos. O do Parnaíba é o maior das Américas, com 2.700 km² e mais de 70 ilhas. No passeio da revoada dos Guarás, que sempre acontece ao pôr do sol, o privilégio é enorme: ver os pássaros de coloração vermelho pulsante cobrindo a copa verde das árvores. E a dica valiosa é: o passeio da revoada é como dois em um, já que se faz o passeio pelo Delta enquanto vemos a revoada. Escolha acertada.

O passeio da revoada custa em torno de R$ 200 por pessoa e tem duração de cinco horas. Já o do catamarã custa R$ 80 e faz um passeio lento, durando o dia todo com apenas uma parada. Para embarcar, é necessário ir ao Porto dos Tatus, mas normalmente todos os passeios já incluem o transfer do hotel até lá.
As primeiras duas horas do passeio são acompanhadas unicamente pela água e vegetação do Parque Nacional ao redor. O azul do céu, o verde das árvores e a cor escura da água lembram nossa pequenez diante da natureza. Por volta das 16h, a primeira parada: uma espécie de duna que também era ilha. Lá, a barraca de um morador local nos aguardava com bebidas para nos refrescarmos. Após as bebidas, subimos a duna gigante e pudemos ver o quão grande era o local onde estávamos.
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A vista se perdia entre água, areia e árvores e alcançava o horizonte. Tudo muito e sem fim. Nesta parada, ficamos à vontade para andar pelas dunas e tomar banho. Na hora marcada, regressamos ao barco para iniciar o retorno, quando veríamos a revoada dos pássaros. Poucos minutos depois, paramos num local estratégico para a observação. Havia outras seis lanchas próximas com turistas, mas o silêncio era absoluto. Aos poucos, o azul do céu e o verde das árvores foi acompanhado pelo vermelho fluorescente dos guarás.
Era um espetáculo simples — pássaros voando para as árvores — mas simples o suficiente para emocionar: era rico, era brasileiro, era nosso. Imerso em um orgulho estonteante, me recordei do verso entoado por Elis Regina: “o Brazil não conhece o Brasil”. Não conhecemos, mas precisamos.
No mesmo barco que nós, estava o jovem Zach Spero, vindo de Melbourne, na Austrália, país conhecido por sua rica fauna e flora. “A natureza é toda muito maior, tudo é muito exuberante”, comentou quando perguntado sobre a natureza daqui e de lá. Apaixonou-se pelo país ao assistir o filme Rio (2011), e desde então sonhava em conhecer o Rio de Janeiro. Uma arara azul o fez apaixonar-se pelo Brasil e, anos depois, ali estava ele: num barco à espera de um pássaro alaranjado, adicionando vibrantes cores ao seu sonho de infância.
Chegamos ao porto à noite, todas as outras pessoas conosco estavam em completo silêncio. Acho que havíamos presenciado algo bonito demais para falar. Descemos e fomos levados de carro para nossas acomodações no centro de Parnaíba. Deitamos inebriados e acordamos ainda impactados.
A cidade também fica numa posição estratégica para quem deseja visitar três praias do pequeno litoral do Piauí: Luís Correia, Ilha Grande e Barra Grande. Ilha Grande e Luís Correia estão a 10 km de Parnaíba e Barra Grande a 70 km. Todas fazem parte da Rota das Emoções.

A disponibilidade de culinária riquíssima é, sem dúvidas, um destaque da rota. Uma dica é perguntar para moradores locais quais os restaurantes ou a comida característica da região, ou buscar no Google e TikTok lugares bem avaliados e recomendados. No nosso caso, a indicação se deu pela busca in loco. Inebriados com o calor que fazia em Parnaíba, saímos do Sesc Beira Rio a pé, já que o restaurante estava fechado, e fomos buscar um lugar no Calçadão Cultural, com vários restaurantes, que já havia sido indicado por pessoas locais para o jantar.
Mais uma cena que aparentava miragem: dentre inúmeros restaurantes fechados do Calçadão, um deles estava aberto, o Caranguejo Expresso. Simples, com cadeiras na calçada sob a sombra de árvores, era ideal pra nossa fome. Além disso, a cidade de Parnaíba é um dos maiores produtores nacionais deste marisco, famoso pela qualidade e frescor — pensamos ser mais uma escolha certa. Por indicação da atendente, optamos por uma torta de caranguejo tamanho P, sugerida para duas pessoas, mas que servia tranquilamente três.
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Só durante o período em que estivemos lá, três pessoas encomendaram a torta para viagem.À noite, tendo feito o check-out do hotel e esperando o horário do ônibus que nos levaria para São Luís, no Maranhão, optamos por um charmoso barzinho chamado Cajuína. Os versos de Caetano Veloso, da música de mesmo nome, não saíram de nossa cabeça enquanto estávamos lá — ainda que, no ambiente, dentre a ótima seleção de música brasileira, esta não tenha tocado.
Chegamos à rodoviária e embarcamos. É sempre um momento de relaxar quando o conforto dos assentos nos dá quase um abraço. A brisa fresca em nada lembrava a força do sol de apenas algumas horas antes, e nos despedimos de Parnaíba com um gostinho de quero mais.
Temos certeza que as paisagens das estradas que nos levaram ao Maranhão são belíssimas, mas, como dormimos durante quase todo o trajeto de nove horas, é das poltronas que podemos falar melhor. A discrepância do nível de conforto de uma viagem de ônibus com o aperto que passamos em aviões é gigantesca.
De São Luís, nesse momento, conhecemos apenas a rodoviária, onde tomamos um caldo de ovos que nos deu força até a chegada em Barreirinhas, depois de mais um ônibus.
Já no desembarque do ônibus em Barreirinhas, uma das “cidades-porta” para os Lençóis Maranhenses, fomos abordados por pessoas oferecendo nos levar às lanchas que partem com destino à Atins. Em comparação com nossa pesquisa prévia, os preços estavam inflacionados, então optamos por ir ao porto. Dos R$ 120 cobrados por pessoa inicialmente, chegamos a outro paraíso dos Lençóis Maranhenses após cerca de 50 minutos nas águas do Rio Preguiças, cada um pagando R$ 100. Normalmente, o valor já inclui o traslado de carro ao hotel em Atins.

Ao descer da lancha, a picape já esperava para levar os passageiros às suas hospedagens. Em menos de cinco minutos, chegamos à Casa Acquamarina, pousada administrada por Peter Nöldner, o alemão mais brasileiro. Fomos recebidos como na casa de familiares, tamanha atenção e cuidado. Nosso almoço foi na casa: delicioso espaguete de camarão ao pesto. Haviam nos alertado sobre preços elevados das comidas em Atins, então foi uma grata surpresa pagar R$ 50 pelo prato individual. Mas, vale considerar que era baixa estação e os preços em toda Atins variam de acordo com as águas. Estão cheias? Preços maiores.

A praia de Atins é tranquila e ainda mantém sua essência de vila de pescadores, com muitos barquinhos parados na orla e outros com pescadores cumprindo sua função. Há beach clubs, barracas de praia e restaurantes ao pé da areia.
A orla parece ganhar novos ares a cada uma de suas “etapas”:
Em Atins estamos sobre dunas, e a areia faz com que nosso passo desacelere, nos deixando em sintonia com o espaço. Quadriciclos transportam as pessoas, visto que pequenas distâncias tornam-se longas pelos passos lentos na quente areia. É um vilarejo pequeno, sem muitos postes e fiação elétrica a manchar o céu. À noite não vemos muitas pessoas, há silêncio e ouvimos os sons do lugar. É quase uma viagem no tempo, você se sente diante de um lugar que ainda não sofreu as transformações que o turismo traz. Ainda assim, você encontra uma cervejaria artesanal, onde experimentamos a deliciosa IPA da casa.
Seguindo as recomendações dos locais, fomos curtir a sexta à noite em um forró no Maria Bonita. “Todos aqui estão esperando essa festa”, comentaram. Não parecia haver muito movimento, pelo menos na época em que fomos, e um evento assim reunia a todos. Muita música boa, comidinhas e bons drinks nos acompanharam durante a noite, que não se alongou porque às 4 horas da manhã nos buscavam na pousada para irmos ver o nascer do sol no Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses.
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Estava nublado quando começamos o passeio, mas isso não nos impediu de ver a vastidão de dunas e o quão grande é o parque. São 155 mil hectares, afinal (cada hectare tem 10.000 m²). O sol surgiu após certo tempo e começou a colorir as dunas, criando um espetáculo dourado ao nascer. Nosso guia nos levou por entre as dunas até encontrar uma lagoa cheia, onde paramos e nos banhamos. Aquele deserto era só nosso, e estar diante de tamanha imensidão nos lembra o quão pequenos somos.
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Uma experiência marcante, sem dúvidas. Ficamos com vontade de ver também o pôr do sol, mas deixamos para a próxima vez — é sempre bom deixar algo para uma nova visita, um pacto íntimo que fazemos com lugares que queremos voltar.
Voltamos à Casa Acquamarina em tempo do café da manhã, que se tornou o melhor de nossas vidas. Tudo estava fresco: o pão de fermentação caseira, o legume colhido na horta ao lado naquele instante, a geléia feita dos frutos colhidos. Um verdadeiro banquete sensorial, tanto que optamos por não pegar a lancha de volta no dia seguinte pela manhã, e escolhemos o horário da tarde. Escolhemos, mas não reservamos. Ainda que à frente de nosso quarto houvesse um aviso alertando sobre a necessidade de reservar com antecedência devido às poucas vagas.
Permitimos nos relaxar, só para depois descobrir que — se ao menos houvesse uma placa avisando... — não havia mais vagas. Passamos a tarde pela orla e caminhamos para ver o pôr do sol em um extremo da praia. Visuais de outro planeta.
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À noite fomos jantar na Casa de Juja, restaurante local que recebe a maioria dos turistas em busca de pratos mais trabalhados. Optamos pelo mais pedido da casa: uma tábua com camarão, lagosta e peixe, e seus acompanhamentos. Estava saboroso, mas depois de tantas delícias que havíamos provado em toda a viagem, e em Atins, não se destacou. Voltamos para a Casa ainda sem saber como partir da ilha no dia seguinte.

Ao acordar, fomos direto ao café da manhã, afinal era por isso que ainda não sabíamos como voltar. Comentamos com Peter, que entre risos ao saber o motivo de nossa permanência, tentou nos ajudar. Entrou em contato com outras pousadas para ver se havia algum turista tentando voltar, mas sem sucesso. Conseguimos reservar uma lancha que faria o trajeto nos cobrando R$ 700. O café da manhã, ainda que divino, estava nos saindo mais caro do que o esperado.
Estávamos almoçando, precisamente às 13:17, quando recebi a ligação da pessoa responsável por conseguir a lancha dizendo que não estava conseguindo localizar uma — todas estavam ocupadas — e nos recomendou tentar conseguir alguma das lanchas que partiam às 13:40. Por sorte, as malas já estavam feitas. Engolimos a comida, paramos um quadritáxi em sua frente e imploramos para que passasse em nossa pousada e nos levasse ao porto. Conseguimos.
Não havia sinal de internet para se comunicar com o rapaz que nos ajudava, e não sabíamos seu nome. As lanchas estavam de fato lotadas, nenhuma com vaga. Mas há algo cósmico que ajuda todo viajante, e dessa vez não foi diferente. Um barqueiro chamou e disse que nos levava à Barreirinhas, estava indo buscar um grupo em uma pequena ilha próxima. Por R$ 70 individuais fomos levados e chegamos a tempo do nosso ônibus para São Luís, exaustos, e novamente acordamos somente em nosso destino.
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De São Luís partimos de volta a Fortaleza, em uma viagem de 19 horas que a princípio nos assustou devido à duração. Como nas outras, o conforto fez com que não sentíssemos o peso do tempo. Entre sono, músicas e filmes, viajamos 900 km, cheios de emoções na bagagem.
Como Chegar
o roteiro liga o ceará ao maranhão passando por três áreas de preservação ambiental: o parque nacional de jericoacoara (ce), o delta do parnaíba (pi) e os lençóis maranhenses (ma).
De ônibus
De Fortaleza a Jijoca de Jericoacoara, empresas como a guanabara operam linhas regulares; o trajeto leva cerca de 5h. de jijoca, é necessário seguir em transfer 4x4 até jericoacoara.
De Jericoacoara a Parnaíba, há serviços de ônibus e vans integradas, com duração média de 5h. a cidade é o principal acesso ao delta do Parnaíba.
De Parnaíba a Barreirinhas, o trajeto leva cerca de 6h, e de lá é possível pegar um transfer fluvial ou terrestre até atins, no coração dos lençóis maranhenses.
De Jericoacoara a Parnaíba, há serviços de ônibus e vans integradas, com duração média de 5h. a cidade é o principal acesso ao delta do Parnaíba.
De Parnaíba a Barreirinhas, o trajeto leva cerca de 6h, e de lá é possível pegar um transfer fluvial ou terrestre até atins, no coração dos lençóis maranhenses.
