Sertão que pulsa com arte, fé e memória viva
Nesta reportagem, nosso olhar se volta especialmente para o Cariri cearense, onde a natureza exuberante da Chapada do Araripe se encontra com a fé popular, a arte e as memórias que atravessam séculos. Um recorte que revela muito mais do que um destino turístico – um território vivo, onde tradição e reinvenção caminham juntas.

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Localizado no sul do Ceará, o Cariri é uma das mais vibrantes regiões metropolitanas do interior nordestino, congregando um mosaico de nove municípios que se expandem em torno do chamado “triângulo Crajubar” (Crato, Juazeiro do Norte e Barbalha). Normalmente, as rotas de ônibus têm como destino no Cariri essas três cidades.
Reconhecida oficialmente em 2009, essa junção urbana ganhou protagonismo econômico e turístico, recebendo cerca de 2,5 milhões de visitantes por ano, a maioria atraída pela fé, mas cativada também pelo patrimônio cultural e ambiental. Além disso, no Cariri, grandes eventos como a Expocrato atraem mais de 100 mil turistas, enquanto a ocupação hoteleira no Crajubar supera 80% durante a alta temporada.
Conheça os destinos do Cariri cearense

Olhar que revela o Cariri
Samuel Macedo é quem assina a imagem de capa desta edição dedicada ao Cariri. Fotógrafo e viajante, natural do Crato, ele se define como um “cearense do mundo”. Seu primeiro contato com a fotografia foi ainda na infância, quando seu avô construiu para ele uma câmera escura no princípio da pin hole. “Sem filme e sem papel, a gente não revelava a imagem. Ficava só na minha memória mesmo”, conta.
Foi na Fundação Casa Grande, em Nova Olinda, que Samuel começou a manipular câmeras profissionais, na década de 1990. Desde então, fez do Cariri não apenas cenário, mas essência do seu trabalho. “Para mim, é onde eu vejo mais beleza, mais possibilidades. Consigo mostrar essas coisas de forma muito rica para as pessoas que precisam vir e conhecer o Cariri profundo”, destaca.
Mesmo tendo percorrido todo o Brasil com suas lentes, o fotógrafo mantém o Cariri como principal inspiração de sua trajetória. Em 2023, inaugurou sua primeira exposição individual, Encantarias Cariri, com retratos de mestres e mestras da cultura popular, sob curadoria de Bitu Cassundé e Fabiana Barbosa. Em 2024, foi vencedor da 10ª edição do Prêmio PIPA, um dos maiores reconhecimentos das artes visuais brasileiras. “O Cariri me deu régua e compasso para olhar para o mundo de uma maneira muito especial, cuidadosa e atenciosa”, afirma.
Samuel acredita que cada registro carrega uma responsabilidade com a memória coletiva. “Eu penso que daqui a alguns anos as pessoas vão olhar essas fotos e vão sentir esse calor, essa energia. É um documento. É história viva”.
SERVIÇO
Viajar de ônibus pelo Ceará, especialmente pela rota Fortaleza - Cariri, é uma experiência que combina praticidade, conforto e visão panorâmica do sertão. A Expresso Guanabara, uma das maiores empresas rodoviárias do Brasil, oferece partidas ligando Fortaleza a Juazeiro do Norte, Crato, Barbalha, Santana do Cariri e Nova Olinda — encaixes na Rota Cariri. Durante o Carnaval de 2025, por exemplo, a empresa ampliou em 50% sua frota no trecho Fortaleza – Juazeiro do Norte, chegando a 33 partidas diárias.
Mente visionária dedicada às viagens
A primeira vez que Paulo Porto Lima fez uma viagem de Uber foi quando estava atrasado para o show de seu grande ídolo, Eric Clapton. Era 2015 e o aplicativo ainda não era popular no Brasil, mas aceitou a sugestão de sua companheira, a arquiteta Magaly Gentil, e, juntos, foram ao Royal Albert Hall, em Londres, na Inglaterra, solicitando uma corrida pela plataforma.
Graças à agilidade do serviço chegaram à casa de espetáculos a tempo de ver apenas duas poltronas vazias, justamente a do casal. Sentaram e, logo em seguida, o concerto começou. Mas esse foi apenas um episódio na vida de Paulo Porto, diretor da Expresso Guanabara e presidente da Associação Brasileira das Empresas de Transporte Terrestre de Passageiros (Abrati), em que o transporte foi instrumento de realização de sonhos.
Nos períodos de alta estação, cerca de 600 mil passageiros viajam por dia na frota da empresa – são estudantes indo às universidades; familiares voltando para seus lares; corações apaixonados em busca de encurtar distâncias; e milhares de pessoas que atravessam o país continuamente.
PP: A motivação vem do fato de que, todos os dias, temos que inovar. Tanto a empresa quanto as pessoas, porque as mudanças tecnológicas acontecem de maneira muito rápida, o processo é acelerado, e tudo é acelerado: tanto as inovações quanto as obsolescências. As empresas e os profissionais precisam correr atrás para não “dormir no ponto” e acabarem obsoletos.
Nos últimos 30 anos, o setor rodoviário passou por uma verdadeira revolução. Antes, a cada 10 anos não se percebia muitas mudanças nos ônibus; hoje, temos mudanças significativas todo ano. E a Guanabara sempre se posicionou à frente das inovações, o resultado seguido de melhor balanço rodoviário do Brasil reflete a base e a solidez do nosso trabalho.
PP: Nós começamos comprando a Expresso de Luxo, uma empresa grande para os padrões da época, mas pequena para os de hoje. Então, em 92, a gente precisava fixar a marca Guanabara, na época nossa frota era de 40 ônibus e atuávamos apenas nos estados do Rio Grande do Norte, Ceará, Piauí, Maranhão, Pernambuco e Paraíba. Nós fomos os primeiros no Nordeste a ter uma frota de ônibus com ar-condicionado, e isso foi integrado à linha regular, sem acréscimos no preço da passagem.
Nós já entramos no mercado com esse charme, logo em seguida, iniciamos nossos incentivos artísticos e culturais, e de lá pra cá seguimos desenvolvendo. Realizamos o Festival Guanabara de Música; o projeto Indo e Voltando; fizemos parcerias com atletas e hoje nós apoiamos a orquestra Estrelas da Serra, em Croatá. Quando a Orquestra completou 10 anos, os jovens se apresentaram com o maestro João Carlos Martins, foi emocionante.
BV: Interessante como desde o começo o rádio e a música desempenham um papel importante para a empresa. Hoje, com o hit "Pega o Guanabara" e vem, vocês foram parar em Cannes, na França. Como foi que se deu tudo isso?
BV: Ao longo dessas mais de três décadas houve alguma história muito marcante dessa interação com o público?
PP: São muitas histórias que tocam a gente. É sempre bonito quando chega um convite de casamento de casais que se conheceram usando nossos ônibus, ou alguma festa de criança com o tema da Guanabara. Sempre nos toca muito ver o carinho das pessoas e nos dá a sensação de que estamos fazendo nosso trabalho bem feito.
BV: E como começou a vontade de trabalhar com o ramo do transporte?
PP: Foi uma das coincidências da vida. Sou administrador e empreendedor desde cedo; sempre fui apaixonado por música, esportes, e estava trabalhando no Rio de Janeiro. Quando a Maria Luiza Fontenele venceu a prefeitura de Fortaleza, em 1986, meus amigos me chamaram de volta ao Ceará para assumir a área de Esportes no governo.
Eu vinha de outra área, sem vícios no mercado. Então, inovamos e desenvolvemos muito. Quando eu estava no Rio, conheci o Daniel Barata, que queria comprar a Expresso de Luxo. Isso foi em 1985, só sete anos depois concluímos tudo e seu pai, Jacob Barata, que faleceu recentemente, se tornou o principal acionista da Guanabara.
E eu sempre gostei de viagens de ônibus, das paradas nas estradas, dos restaurantes com aquele cheiro de comida caseira e das paisagens. Dos meus 7 aos 17 anos vivi em Brasília e viajava muito de ônibus nessa época, tenho ótimas memórias.
BV: Hoje, entre inovações e desafios, como é olhar para trás e como é enxergar o futuro?
PP: Bem, aqui nós inovamos todos os dias. Hoje nosso objetivo é oferecer uma internet de qualidade e rápida em toda a frota. Nossos ônibus já contam com internet, mas estamos trabalhando com um sistema de muita qualidade. Antes as pessoas queriam uma tela para assistir um filme, hoje todos têm celular. As pessoas querem USB para carregar o celular, boa internet e um ônibus limpo e confortável. E nós trabalhamos para isso e sentimos, pelo retorno do público, que estamos na direção correta.
Quando a paixão por ônibus vira comunidade e memória
No Ceará, a página Mob Ceará é um dos principais pontos de encontro dessa comunidade nas redes. Com mais de 26 mil seguidores no Instagram, o perfil divulga registros técnicos e afetivos de ônibus urbanos e rodoviários, conectando um público que cresce a cada ano.
Mas o sentimento também ocupa o espaço físico. Um dos momentos mais aguardados pelos busólogos é o Encontro da Guanabara, promovido anualmente pela Expresso Guanabara em Fortaleza. Já são 14 edições que reúnem admiradores de todo o país para visitar a garagem da empresa, fotografar modelos e trocar experiências com quem compartilha a mesma paixão.
Para Wellington Cadore, criador da página "Ônibus, Minha Segunda Casa", com mais de 500 mil seguidores no Facebook e 208 mil no Instagram (@onibusmsc), participar desses eventos é sempre especial. “É sempre uma experiência incrível. Para nós busólogos e fãs da marca, esses eventos reforçam o vínculo com a empresa, e também se tornam uma oportunidade de rever amigos busólogos através desses encontros”, relata.

Mais do que hobby, a busologia é memória em movimento. Há quem colecione miniaturas, quem registre viagens e quem, como Vaniberg, viva de fato ao volante. Para quem é busólogo, ônibus não são apenas veículos: são marcos afetivos, narrativas em movimento e, muitas vezes, um jeito de ver o mundo.
“Não é só gostar de ônibus, não é só viajar, não é só dirigir. São as pessoas, as culturas diferentes. Me transformo em outra coisa quando entro num caminhão ou ônibus. Quando eu entro num ônibus ou caminhão, eu me acho”, completa a motorista.
De desenhos na infância à maior página sobre ônibus da América Latina
A página "Ônibus, Minha Segunda Casa" surgiu do desejo de mostrar o olhar único de Wellington sobre o tema. “Sempre busquei agregar informações nas fotos que eu publicava. Um ônibus contém tantas histórias, não dava pra simplesmente publicar, tinha que ter algo a mais”, conta. “Quando passei a fazer vídeos também, isso me aproximou ainda mais dos seguidores, que passaram a ter uma figura real falando sobre o que eles gostavam. As fotos, os vídeos e as informações se complementam”.
Hoje, sua página é uma das maiores referências da América Latina sobre o tema. “Já visitei praticamente todos os estados do Brasil, conheci países vizinhos como Argentina, Uruguai, Paraguai e Peru, todos de ônibus”.
Mesmo com o crescimento da comunidade, Wellington lembra que no início nem todo mundo compreendia essa paixão. “No início muitos estranhavam esse meu sentimento de gostar de ônibus, não entendiam e questionavam, mas ignorei e hoje administro uma das páginas que é referência no assunto. E temos muito mais a crescer, a busologia é um mundo que mais pessoas precisam conhecer e apreciar”.
Omnes Omnibus

Roda durante o dia, compactado entre tantos como tu, no movimento do trânsito, unido a outros iguais em força, presença e tamanho. Juntos, são manadas de elefantes pisoteando as trilhas afundadas que criaram no asfalto velho.
São um tropel de cavalos 370, 450, 500 deles trovejando os cascos inquietos no chão marcado. São o bufar revigorante do teu freio de ar comprimido, parando para respirar em cada sinal vermelho.
Quem espera cumpre o relógio, obedece aos locais de parada, entende os letreiros na tua testa. E descansa o passo sob a sombra de uma árvore, acomodado embaixo de um abrigo de concreto, enfileirado atrás da linha reta de um poste, aguardando na hora marcada a sinalização para o embarque.
Segue, e roda estrada afora, deslizando em pistas luzidias, de sinalização perfeita, ou corcoveando sobre buracos, crateras, mata-burros e lombadas, engolindo as léguas que vierem à tua frente nas rodovias maltratadas.
Sobe e desce cadeias de montanhas, atravessa pastos, avança acima de rios e corredeiras, roda de noite a dentro, desatento à imensa tenda de estrelas cadentes e constelações que acima de ti se desembrulham e se desdobram – Órion, Coroa Austral, Cão Maior –, sem medo do escuro, indiferente ao que sinalizam as luzes do firmamento, para não retardar tua jornada.
Dispara teus faróis como dois cones de fogo, abrindo caminho na língua estendida das ruas, das estradas, desenhando luz e sombras nos morros, nas matas, nos muros dos cemitérios, nos crucifixos das igrejas, nas pracinhas dos enamorados, no casario das pequenas cidades que cruzas em tua marcha.
Qualquer marco pode ser teu ponto de partida ou desembarque. Dispara tua buzina, teu grito, teu brado, que avisa tua necessária ultrapassagem, teu berro no anúncio da chegada.
Escuta o que se passa à tua volta, o que passa zunindo pelas tuas janelas: é essa curva, essa ponte, é esse túnel, essa ladeira, é essa rotatória, essa reta, é aquela. O que passou já era.
(Do passado, vêm a fala sem rima dos modernistas, poetando os movimentos de um progresso interligado à urgência nos deslocamentos.)
(Manuel Bandeira, se deixando conduzir a toda pelo avanço ritmado do Trem de ferro: “Café com pão/ café com pão/ café com pão/ Virge Maria, que foi isto maquinista?”. Cecília Meireles, mergulhando na delicadeza de sua Canção: “Pus o meu sonho num navio/ e o navio em cima do mar;/ - depois, abri o mar com as mãos,/ para o meu sonho naufragar.” Murilo Mendes, modernizando os céus de guerra com o seu O farrista: “O anjo transpôs a barra,/ diz adeus a Pernambuco, faz barulho, vuco-vuco, tal e qual o zepelim.” Drummond, simplificando o carro no poema Cota zero: “Stop,/ A vida parou/ ou foi o automóvel?”. João Cabral de Mello Neto, polindo as pontas agudas de mais um de seus secos enredos, mal disfarçando o encantamento com a Terra avistada De um avião: “O avião agora mais alto/ se eleva ao círculo terceiro,/ folha de papel de seda/ velando agora o texto./ Uma paisagem mais serena,/ mais estruturada, se avista:/ todas, de um avião,/ são de mapa ou cubistas.”)
Não cantaram a ti, e se não te dirigiram a vista, é porque tens os pés na terra e a alma ligada à pista, que riscas como uma ponta de faca, constante, seguro e fundo. Balanceado, calibrado, alinhado, conduzes almas peregrinas daqui para lá, dali para cá, de cá para mais além: pernas inquietas são o que te convém. Omnes omnibus, para todos és tudo. Rodas até teu ponto, teu pouso certo, sempre em casa no meio do mundo.
O que fazer em viagens longas?
As redes sociais não entregam mais nada interessante, as paisagens ficaram monótonas e o sono não vem. Ainda faltam horas para o destino, e a mente e o corpo imploram por atividade. Mas, o que fazer nesse espaço apertado? Como lidar com os pensamentos que insistem em correr?
Segundo a psicóloga e professora Júlia Murta, o desafio começa porque nos desacostumamos a lidar com o tempo livre. “A rotina atual exige produtividade constante. Quando o tempo se alonga, como em uma viagem, somos convidados a encarar um tipo de silêncio interno e externo que normalmente abafamos”, explica.
Júlia destaca que a associação entre tédio e negatividade é fruto de um mal-estar contemporâneo: “O tédio pode ser um sintoma da dependência de produtividade para nos sentirmos válidos. Ele incomoda, mas também pode ser revelador.”
Para ela, o tédio não surge da falta de estímulos, mas do enfrentamento do vazio – e viajar também é autodescoberta. Encarar o tempo livre como autocuidado, porém, requer processo.
Dica da psicóloga:
“Leituras leves, anotações pessoais, escutar músicas ou podcasts com temas subjetivos podem ajudar a atravessar o tempo sem cair na aceleração compulsiva da mente. Não se trata de preencher, mas de sustentar a presença.”
Além do cuidado com a mente, o corpo também precisa de atenção: passar horas na mesma posição é prejudicial em qualquer lugar, especialmente em viagens, quando o espaço é limitado.
Para o pescoço (cervical)
- Incline a cabeça para os lados, sem subir os ombros.
- Leve o queixo ao peito.
- Gire a cabeça para um lado e depois para o outro.
Obs: mantenha cada posição por 15 segundos
Para ombros e braços
- Eleve os ombros às orelhas, segure e solte.
- Gire os ombros para frente e para trás.
- Leve uma mão atrás da cabeça e empurre levemente o cotovelo com a outra.
- Estique os braços à frente, palmas para fora.
Para pernas e pés
- Com as costas apoiadas, eleve um joelho de cada vez em direção ao peito.
- Estique as pernas à frente, com os calcanhares suspensos.
- Alterne ficar na ponta dos pés e depois só nos calcanhares.
- Eleve os pés e gire os tornozelos 10 vezes para cada lado.
Desconforto ou perigo? Aprenda a diferenciar.
O especialista também diferencia as dores comuns das que são um alerta – de acordo com ele, desconfortos no pescoço, lombar e pernas são normais, afinal, a coluna é sobrecarregada ao se posicionar sentado.
No entanto, dores musculares e articulares, formigamentos e dormência são indícios de risco para o corpo.
O tempo de viagem como experiência

Aproveite para relaxar
O ritmo acelerado do dia a dia raramente permite pausas genuínas. Use a viagem para descansar: poltronas reclináveis e ônibus modernos oferecem conforto ideal para cochilos revigorantes ou momentos de introspecção. Uma boa playlist ou meditação guiada pode ajudar a relaxar e ajustar o foco para aproveitar a chegada.

coloque leituras em dia
Livros, revistas ou até e-books são companheiros perfeitos para viagens longas. Aproveite o tempo para mergulhar em histórias ou adquirir conhecimento em áreas de interesse. Caso o movimento do veículo dificulte a sua leitura, podcasts e audiolivros são ótimas alternativas.

Entretenimento Digital
Hoje, muitos ônibus oferecem Wi- Fi e entradas USB, permitindo que passageiros assistam a filmes ou séries, joguem games no celular ou explorem conteúdos educativos online. Certifique-se de baixar opções offline, como episódios de sua série favorita, para garantir o entretenimento mesmo em áreas sem conexão.

Planeje e organize
Esse tempo também pode ser usado para planejar a viagem ou atividades no destino. Organize roteiros, revise compromissos ou até mesmo escreva em um diário de viagem para registrar as expectativas ou reflexões do momento.

Interaja com outros passageiros
Para quem gosta de socializar, uma conversa com outros passageiros pode revelar histórias interessantes e até dicas valiosas sobre o destino. No entanto, respeite o espaço alheio e perceba se o outro está aberto a conversar.

Encare o trajeto como parte da experiência
Uma viagem longa não precisa ser vista como um obstáculo, mas como parte da aventura. Ao mudar o foco do tempo ocioso para as possibilidades, os passageiros podem descobrir novas formas de aproveitar o trajeto e chegar ao destino com mais energia e entusiasmo.
Para facilitar sua próxima viagem

Almofada de Pescoço
É uma das melhores aliadas para viagens longas, especialmente em voos ou trajetos de ônibus. Feita para oferecer suporte ergonômico à cabeça, ela ajuda a evitar dores no pescoço e garante momentos de descanso mais confortáveis, mesmo em assentos apertados. Modelos infláveis são ótimos para economizar espaço na bagagem.

MOCHILA MULTIFUNCIONAL
A escolha da mochila certa pode ser determinante. Opte por modelos com vários compartimentos e que ofereçam ergonomia para carregar peso por longos periodos. As opções com compartimentos antifurto, bolso térmico e USB acoplado são práticas e aumentam a segurança, especialmente em viagens urbanas.

SACO A VÁCUO PARA MALA
Quer ganhar espaço na mala? Os sacos a vácuo são a solução ideal. Ao compactar roupas e outros itens volumosos, eles permitem levar mais peças sem aumentar o volume. Basta retirar o ar usando uma bomba ou rolando o saco manualmente, perfeito para quem precisa de organização e otimização.

ESTOJO PARA CREMES E COSMÉTICOS
Manter produtos líquidos bem organizados e dentro das normas de transporte é essencial, principalmente em viagens de avião. Estojos especificos para cremes, shampoos e cosméticos ajudam a evitar vazamentos, enquanto garantem praticidade e economia de espaço na bagagem.
De pai para filho
O ofício lhe fez ser reconhecido pela Prefeitura de Exu, no Cariri pernambucano, como Mestre da Cultura Tradicional Popular Exuense e, na boca do povo da cidade, ele é o ‘Mestre Tonho dos Couros’.
A cerca de 600 quilômetros de Recife e 76 de Juazeiro do Norte, a cidade é lembrada por ser a terra do “rei do baião”, Luiz Gonzaga. Símbolo da cultura nordestina, o artista também difundiu a indumentária em couro país afora, antes vista apenas nos vaqueiros do Nordeste brasileiro.
“Quando Gonzagão está sem as vestes de couro, ninguém reconhece”, observa o Mestre, sobre a influência permanente do cantor.
Luiz Gonzaga era cliente assíduo do pai de Antônio, José Pedro. Mesmo com poucas lembranças do músico, o artesão guarda com zelo um presente dado por ele: uma máquina de costura.
“O pai fazia os chapéus de couro dele com uma máquina que não era adequada e acabava amassando. Um dia, ele [Luiz Gonzaga] perguntou se havia como resolver aquilo, e o pai respondeu que sim, que tinha uma máquina de costura adequada. No dia seguinte, Gonzagão apareceu com a máquina lá em casa.”
Até hoje, o Mestre guarda o instrumento como um tesouro. Dos nove filhos, ele foi o único a seguir o trabalho do pai. “Ele faleceu em 2002, e quando ele deixou aquela máquina para mim, ave Maria, foi a melhor herança que ele poderia ter me dado”, lembra.
O artesão relembra os primeiros passos e fala da emoção de quando teve o primeiro trabalho aprovado pelo pai. “A gente recebeu uma encomenda de uma dúzia de chapéus. Meu pai não conseguiu terminar tudo, aí eu fui e disse ‘eu fiz um ali’. Ele olhou, pensou e aprovou.”
Atualmente, o Mestre produz gibão, bolsa, sandália e, claro, os chapéus – que ganham destaque na sua produção, principalmente quando contam com a estrela, símbolo característico do rei do baião.
Desde 2022, com a iniciativa Residencial Ciclo do Couro, o espaço de trabalho de Antônio foi convertido num Museu Oficina pela Prefeitura de Exu, que recebe visitantes e turistas gratuitamente, gerando renda e visibilidade para seu trabalho e para a cidade.
“As pessoas vêm aqui visitar a gente e isso incentiva muito. Sempre que tem um pedido pela internet, somos avisados. As redes sociais vêm ajudando muito também”, avalia.
Políticas de reconhecimento
Alguns estados e municípios brasileiros contam com políticas públicas de reconhecimento e apoio para mestres e mestras da cultura popular, como é o caso da cidade de Exu, que diplomou Antônio em abril de 2024.
Junto a ele, outros nove talentos foram reconhecidos, como os mestres Zé Venceslau e Chico Aprígio – seus companheiros no Residencial, que também dão nome a museus oficinas no espaço, localizado no Sítio Chapada dos Gomes.
O estado pioneiro na criação de políticas para mestres e mestras foi o Ceará, com a Lei dos Tesouros Vivos da Cultura Cearense em 2003 e, hoje, já reconhece mais de 80 mestres, concedendo apoio financeiro e institucional para a preservação e valorização dos saberes e fazeres culturais populares. Em Pernambuco, que também conta com política similar desde 2005, já são pelo menos 60 mestres e mestras já contemplados.
A nível federal, um Projeto de Lei que também visa valorizar os mestres e mestras da cultura popular está em tramitação há 13 anos na Câmara dos Deputados.
Como Mestre da Cultura, a maior preocupação de Antônio é perpetuar a arte em couro para a juventude – seu sonho é criar uma escolinha para ensinar os jovens. “Uma cultura tão linda como essa precisa ter continuidade.”

A arqueóloga que transformou o turismo da Serra da Capivara
Por décadas, o Parque Nacional Serra da Capivara, localizado no município de São Raimundo Nonato, a 530 km de Teresina, no Piauí, foi sinônimo de um mistério arqueológico que virou patrimônio mundial. Por trás dessa transformação, esteve a força e a obstinação de uma mulher que dedicou a vida à ciência e à preservação cultural: Niède Guidon. A arqueóloga brasileira faleceu em junho de 2025, aos 92 anos, deixando um legado que ultrapassa fronteiras geográficas e acadêmicas.
Filha de pai francês e mãe brasileira, Niède nasceu em Jaú, no interior de São Paulo. Cresceu rodeada de livros e foi incentivada pela família a valorizar o conhecimento. Seu caminho a levou ao curso de História Natural na Universidade de São Paulo (USP), onde mais tarde se especializou em Arqueologia. Mas sua carreira, longe de ser previsível, foi marcada por reviravoltas que moldariam sua missão no mundo.
Início de uma trajetória singular
Após concluir a graduação em História Natural, em 1959, começou a lecionar Ciências Naturais em uma escola pública do interior paulista. Foi ali que enfrentou um episódio decisivo em sua trajetória: ao lado de duas colegas recém-formadas, recusou-se a participar de uma missa organizada pela escola. Em uma comunidade conservadora e profundamente religiosa, o gesto foi interpretado como um sinal de comunismo — o que, em pleno contexto da Guerra Fria, era quase um crime moral. O caso ganhou repercussão, e as três foram rapidamente transferidas.
O que parecia um obstáculo se transformou em oportunidade. De volta à capital, Niède foi encaminhada ao Museu Paulista da USP. Ali, teve seu primeiro contato com a arqueologia, um encontro que mudaria o rumo de sua vida. Fascinada pela possibilidade de investigar o passado mais remoto do Brasil, mergulhou de vez na área.
Niède se especializou em Arqueologia Pré-histórica com ênfase em arte rupestre na Universidade Paris 1 Panthéon-Sorbonne, onde também obteve seu doutorado em Pré-história, em 1975. E foi justamente por meio de um projeto franco-brasileiro que ela desembarcou no Piauí, nos anos 1970, para estudar um acervo de pinturas rupestres até então pouco conhecido. A partir dali, nunca mais saiu de cena.
“Ela transpirava segurança e firmeza”, lembra Arivan Lima, guia regional e secretário de turismo de Coronel José Dias, cidade que abriga 70% da área visitável do Parque Nacional Serra da Capivara. Arivan é um dos muitos profissionais que tiveram sua trajetória de vida diretamente impactada por Niède. Aluno dela em 2001, ele recorda como a arqueóloga fazia questão de transformar o turismo local numa ferramenta de desenvolvimento social. “O plano de manejo do parque indicava que toda a mão de obra fosse local. Minha turma era de nativos, filhos de ex-caçadores e de famílias desapropriadas para a criação do parque”.
O impacto transformador das ações de Niède segue vivo até hoje. Para Marian Rodrigues, chefe do Parque Nacional da Serra da Capivara e idealizadora do Centro de Memória dos Povos da Serra da Capivara, a influência da arqueóloga está em cada detalhe. “O legado de Niède Guidon está na base de tudo: na proteção rigorosa, na valorização da ciência e no cuidado com o território e suas comunidades”.
Dica de podcast
Os caminhos de Niède Guidon
Um novo capítulo na história do povoamento das Américas
O trabalho de Niède na Serra da Capivara não ficou restrito à conservação do patrimônio. Ela foi responsável por abalar uma das teorias mais consolidadas da arqueologia mundial: a de que os primeiros humanos teriam chegado às Américas há cerca de 13 mil anos, pelo Estreito de Bering, um canal estreito, de aproximadamente 82 km de largura e 30–50 m de profundidade, que separa a Rússia (Sibéria) do Alasca e conecta os oceanos Pacífico e Ártico.
Na última Era do Gelo, níveis marinhos extremamente baixos expuseram o leito marinho, formando a “ponte terrestre” conhecida como Beringia, pela qual estima-se que grupos humanos tenham migrado da Ásia para as Américas. Nas escavações no Piauí, os vestígios encontrados indicavam presença humana muito anterior: possivelmente há mais de 50 mil anos.
Boa parte dessas evidências surgiu no sítio Boqueirão da Pedra Furada, onde foram identificadas camadas com restos de fogueiras datados entre 32 e 50 mil anos, bem como ferramentas de pedra lascada, o que sugere que o local foi ocupado muito antes do que se acreditava. Em 1986, essas descobertas foram publicadas na revista Nature, colocando a ciência brasileira no centro de um debate global. Posteriormente, outras camadas indicaram ocupação de até 60 mil anos.
De acordo com relatórios da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), além das fogueiras, foram encontradas pinturas rupestres com aproximadamente 35 mil anos, além de ossadas humanas de até 15 mil anos, tudo isso em mais de 1.300 sítios arqueológicos catalogados. Essas evidências combinadas levaram Niède a propor uma hipótese revolucionária: a de que os primeiros humanos teriam chegado às Américas por rotas diferentes da tradicional via Bering, talvez até por travessias marítimas vindas da África. Em entrevista à Revista Pesquisa Fapesp, Guidon afirmou: “A discussão sobre a exclusiva passagem por Bering me parece totalmente superada".
Do campo de pesquisa à transformação social
Se o mundo acadêmico discutia suas teorias, na Serra da Capivara, a transformação era visível. Em 1979, por força da pressão de Niède junto ao governo federal, foi criado o Parque Nacional Serra da Capivara, hoje Patrimônio Mundial da Unesco. Além disso, ela fundou a Fundação Museu do Homem Americano (FUMDHAM), entidade responsável por gerir e divulgar as pesquisas na região.
Para os moradores locais, o legado de Niède tem uma dimensão concreta e cotidiana. “Ela trouxe educação de qualidade, qualificação profissional, dignidade através do turismo, levando o pé da Serra da Capivara para o conhecimento do planeta através da ciência”, afirma Arivan.
Marian destaca que essa valorização da comunidade foi parte essencial da visão de Niède. “Ela abriu caminho para que a comunidade assumisse o protagonismo. Seguimos essa trilha investindo em educação, capacitação e geração de renda no território. O Instituto Olho D’Água é a continuidade viva dessa visão”, ressalta.
Ao longo dos anos, a arqueóloga criou projetos de capacitação, combate à pobreza e inclusão social. “Ela queria que estudássemos muito, pois receberíamos todo tipo de turistas, desde o leigo até o PhD, e tínhamos que ter fluência verbal com a metodologia de trabalho com todos”, conta o guia.
A cientista de hábitos simples
Quem conviveu com ela guarda lembranças que vão além da ciência. “Era sistemática, metódica, prática, todavia extremamente humana e simples”, resume Arivan. Ele lembra com carinho de um episódio que marcou sua relação com a arqueóloga: “Estava com um casal de historiadores cariocas num sítio arqueológico. Eles queriam vê-la a todo custo, mas ela já estava reclusa por conta da idade. De repente, ela chegou sozinha no sítio, perguntando pelos arqueólogos... Eles choraram de emoção ao encontrar com ela”.
No dia a dia com a equipe, a postura de Niède era marcada pela firmeza e reconhecimento mútuo. “Era exigente, mas justa. Tinha profundo respeito por quem cuidava do território e sabia o valor do trabalho de cada um”, pontua Marian.
Após sua morte, o Parque Nacional da Serra da Capivara divulgou uma nota que ecoa o sentimento de toda uma comunidade: “Com coragem, paixão e compromisso com a ciência, fundou a Fundação Museu do Homem Americano (FUMDHAM) e lutou por décadas para proteger e divulgar a riqueza arqueológica do Brasil. Sua trajetória deixa um legado imensurável para a ciência, a cultura e a memória do nosso país. Seu nome está eternamente gravado na história”.
E, hoje, a missão de Niède se perpetua e o Parque Nacional Serra da Capivara segue como um dos destinos mais fascinantes e transformadores para viajantes de todo o mundo.
Como planejar sua visita à Serra da Capivara
Explorar o legado de Niède de perto é uma experiência que vai além do turismo convencional. Para chegar ao parque, a cidade base mais indicada é São Raimundo Nonato, no interior do Piauí. Uma boa opção é viajar até Teresina, capital do estado, com a Guanabara, que conecta diversas cidades do Nordeste e outras regiões do país à capital piauiense. De Teresina, é possível seguir viagem até São Raimundo Nonato em ônibus de transporte regional, com saídas regulares e trajeto que dura em média de 8 a 10 horas. As passagens para Teresina podem ser adquiridas pelo site da empresa ou em pontos de venda físicos.
A melhor época para visitar a Serra da Capivara é durante a estação seca, entre maio e setembro. Nesse período, as temperaturas são um pouco mais amenas e o risco de chuvas é menor, o que facilita as caminhadas pelas trilhas e o acesso aos sítios arqueológicos.
Como o parque tem grande extensão e os deslocamentos exigem planejamento, é recomendável contratar um guia credenciado. Além de obrigatório em muitos circuitos, o acompanhamento de um profissional local enriquece a experiência, com informações detalhadas sobre a arqueologia, a fauna, a flora e as histórias por trás das pinturas rupestres.
Ficou com curiosidade? Acesse o Passeio Virtual na Serra da Capivara
https://geoportal.sgb.gov.br/360serradacapivara/
Para quem se aventura pelas trilhas, a dica é usar roupas leves, mas que ofereçam proteção contra o sol, além de chapéu, protetor solar, calçado adequado e bastante água. Os principais circuitos – como o Baixão da Pedra Furada, o Boqueirão da Pedra Furada e o Circuito do Sitio do Meio – impressionam pela concentração de pinturas pré-históricas e formações geológicas.
Antes ou depois das visitas ao parque, vale conhecer o Museu do Homem Americano, mantido pela FUMDHAM, e o Museu da Natureza, inaugurado em 2018, que oferece uma leitura interativa sobre a evolução da vida na região.
Ao caminhar entre cânions e paredões de arenito, diante de registros que atravessam milênios, o visitante entende na prática o tamanho do legado de Niède Guidon, essa mulher que mudou a história das Américas a partir do coração do Piauí.
A importância do transporte rodoviário para o turismo
No Ceará, turismo é muito mais do que divulgar belas imagens,que, por sinal, são muitas. É desenvolvimento regional, geração de oportunidades, valorização das nossas raízes. E, para que tudo isso aconteça de forma concreta, o acesso aos destinos precisa ser prioridade, por céu e por terra.
Enquanto fortalecemos nossa malha aérea, com voos nacionais e internacionais chegando cada vez mais longe, também voltamos nosso olhar para as estradas. O transporte rodoviário é, para muitos cearenses e turistas, a principal porta de entrada para conhecer o nosso Estado. E tem sido, inclusive, um aliado estratégico nos momentos em que a aviação precisou recuar. Quando voos para o Cariri foram cancelados, por exemplo, foi o transporte terrestre que segurou a conectividade da região com a capital, garantindo o fluxo de visitantes e de oportunidades. Foi ele que manteve o turismo pulsando.
Durante a alta estação, observamos um movimento crescente de pessoas do interior em direção ao litoral, em busca das nossas belas praias. Esse deslocamento intenso, muitas vezes, é possível graças a uma rede rodoviária que funciona bem. Da mesma forma, grandes eventos como a Expocrato, uma das maiores festas populares do Estado, que atrai milhares de visitantes ao Cariri, geram uma alta demanda de transporte, conectando diversas regiões e fomentando o turismo local.
É essencial estimular cada vez mais o turismo rodoviário. Hoje, os ônibus são cada vez mais modernos, com poltronas reclináveis e leitos confortáveis, alguns no modelo cama, garantindo uma experiência de viagem mais segura e acessível. Para muita gente, essa é a forma preferida de viajar: seja pelo custo, pela praticidade ou pelo conforto.
Pensando nisso, intensificamos o diálogo com Agência Reguladora do Estado (Arce) para ampliar e melhorar a oferta de transporte intermunicipal. Com o apoio e a liderança do governador Elmano de Freitas, que tem promovido a interiorização do desenvolvimento em diferentes áreas, estamos construindo, com escuta e planejamento, um novo momento para a mobilidade rodoviária cearense.
Nosso trabalho tem sido de articulação e construção coletiva. Sentamos com as empresas do setor, ouvimos os desafios, apresentamos propostas e buscamos soluções viáveis. O objetivo é claro: facilitar o deslocamento para os principais polos turísticos do Estado, respeitando as necessidades de quem depende do transporte no dia a dia e incentivando novas rotas que façam sentido para a economia local.
Queremos integrar melhor o Ceará e garantir que o turismo chegue onde ainda não chegou. Interiorizar é descentralizar oportunidades, movimentar o comércio, gerar emprego, renda e autoestima nas regiões. Quando o turismo avança, o desenvolvimento acompanha.
Essa é uma agenda feita com responsabilidade, parceria e escuta ativa. Seguimos com o pé na estrada e os olhos no futuro, fazendo o Ceará acontecer, de ponta a ponta.
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é o investimento que a Expresso Guanabara deve fazer para a compra de 30 novos ônibus, incluindo unidades com serviço premium com cortinas privativas e poltronas extra largas com reclinação de 180°.
Entre as aquisições, também estão 10 veículos no modelo Double Decker. Dos exemplares mais novos, oito já estão em operação nas rotas Fortaleza (CE) - Teresina (PI), Fortaleza (CE) - Recife (PE) e Fortaleza (CE) - Natal (RN).
é o número de novas linhas lançadas recentemente pela Expresso Guanabara: Sobral (CE) - Rio de Janeiro (RJ) via Serra da Ibiapaba e João Pessoa (PB) - São Paulo (SP) via Solânea.
Gramado (RS),
Campos do Jordão (SP) e
Fortaleza (CE)
são as cidades mais buscadas do Brasil para as férias de julho de 2025, conforme relatório da Booking.com.
NO FONE DE OUVIDO
VIAJANTE SEM PAUTA
Papo Café
DESPACHADOS
No rastro do Padim Ciço
Figura complexa, Padre Cícero foi sacerdote, conselheiro, político e líder espiritual. Para muitos, um santo não canonizado; para outros, um estrategista da fé. Fato é que sua atuação transformou Juazeiro do Norte de um vilarejo sertanejo em um dos maiores polos religiosos da América Latina. E é justamente essa combinação da fé popular e dinamismo social que ainda move a cidade, agora impulsionada também pela inovação e pelo turismo sustentável.
É nesse contexto que surge o Complexo Ambiental Caminhos do Horto (CAC Horto), símbolo da nova fase que Juazeiro vive: moderna, conectada, mas profundamente enraizada em sua identidade. Inaugurado em 2022 e gerido pelo Instituto Dragão do Mar (IDM), o espaço conecta, por meio de um teleférico de tecnologia de ponta, a Praça dos Romeiros à Colina do Horto, onde está a imponente estátua de Padre Cícero - com seus 27 metros de altura e vista panorâmica da Chapada do Araripe.
O bondinho, com 26 cabines climatizadas, é também uma travessia simbólica. “O CAC Horto tem o potencial de ser um ‘elo’ de conexão entre a comunidade do Horto e os usuários do teleférico”, afirma Ricardo Borges, gestor executivo do Complexo. Ele destaca que o espaço não apenas movimenta o turismo, mas também fortalece o sentimento de pertencimento local. “Utiliza seu aparato tecnológico para promover o intercâmbio cultural entre visitantes e moradores, por meio de ações de formação e fruição”.
Por isso, a melhor dica para quem chega ao CAC Horto não é apenas subir de bondinho até a estátua. É desacelerar. “Se permitir fazer uma imersão, conhecendo os aspectos naturais, históricos, culturais e artísticos”, recomenda Ricardo.
Além disso, o Complexo abriga feiras, exposições, oficinas e atrações culturais em datas especiais, como as romarias de setembro. E vem crescendo: só entre julho e dezembro de 2024, mais de 130 mil pessoas passaram por lá.
Paleontologia em primeiro plano
No centro da cidade, o Museu de Paleontologia Plácido Cidade Nuvens se destaca como guardião de cerca de 7.000 fósseis da Bacia do Araripe, com peças de plantas, peixes, tartarugas, crocodilianos, pterossauros e dinossauros que datam do período Cretáceo, há 110 milhões de anos. O museu integra, inclusive, o Geopark Araripe.

A poucos quilômetros dali, o Parque dos Pterossauros e o Geossítio Pontal da Santa Cruz oferecem trilhas por mirantes e rochas fossilíferas, com cenários de tirar o fôlego, como o pôr do sol sobre a Chapada do Araripe. As formações revelam vestígios da história da Terra e confirmam por que Santana do Cariri é chamada de “Capital Cearense da Paleontologia”.
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Enquanto a ciência narra a evolução da vida, a fé encontra voz em espaços sagrados: a Igreja Matriz de Sant’Ana mantém viva a devoção local. Já o Santuário da Menina Benigna, que homenageia a jovem mártir Benigna Cardoso – assassinada na década de 1940 e em processo de beatificação pela Igreja –, recebe romeiros todo mês de outubro.
Nas trilhas do tempo

Em seguida, basta caminhar até o campus da Universidade Regional do Cariri (URCA) para encontrar o Museu de História Natural, com seu rico acervo que envolve fauna, flora e fósseis, um prelúdio para o que aguarda na Chapada. A poucos passos dali, o Museu dos Fósseis (Centro de Pesquisas Paleontológicas da Chapada do Araripe) abriga cerca de 4.000 peças datadas do Cretáceo, incluindo exemplares bem preservados de insetos, peixes e pterossauros. Separar esse passeio em mais de uma visita pode tornar o aprendizado mais leve e envolvente.
No Crato, o Museu dos Fósseis abriga cerca de 4.000 peças datadas do Cretáceo.
Ligado a esse universo, o Geopark Araripe, primeiro da América reconhecido pela UNESCO, oferece nove geossítios, entre eles o Parque Estadual Sítio Fundão (Batateiras) e a Cascata do Lameiro, cenários onde trilhas ecológicas e cavernas guardam lendas dos Kariri e ecoam águas que brotam na Chapada. No Batateiras, uma casa de taipa centenária e as ruínas de um engenho de 1880 complementam o roteiro com vivências históricas.
Para complementar, o Caldeirão de Santa Cruz do Deserto, vestígio de missões cristãs no sertão, e a estátua de Nossa Senhora de Fátima oferecem bons mirantes e histórias que cruzam o sagrado e o folclórico.
Também merece atenção a Vila da Música Monsenhor Ágio Augusto Moreira, espaço vibrante onde artistas locais mantêm viva a tradição musical do Cariri, assim como as casas e museus dos mestres e mestras da cultura, que acolhem visitantes com arte, memórias e ofícios regionais.
Já quem visita Crato durante julho não pode perder a Expocrato, tradicional feira agropecuária que mescla shows com arte popular, negócios do campo e gastronomia regional. Em 2024, o evento recebeu cerca de 230 mil pessoas, e a expectativa é de um público ainda maior neste ano. É o momento ideal para experimentar sabores locais e sentir o pulso econômico da cidade.
Entre o sagrado e o profano

Celebrada há quase um século, essa manifestação de fé reúne, em poucos dias, quase 350 mil pessoas, aumentando quase cinco vezes a população local, conforme dados de 2025. O ritual do carregamento do Pau da Bandeira, que lembra um mastro hasteado à beira da Igreja Matriz de Santo Antônio, é um espetáculo vivo de devoção e alegria, reconhecido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) como Patrimônio Imaterial desde 2019. Quando milhares de mãos se unem ao tronco sagrado, dança, música de reisados e blocos cabaçais se misturam ao sagrado, celebrando o santo casamenteiro de forma profana e intensa.
E, mesmo que a festa seja o momento de destaque, Barbalha transpira cultura o ano todo. No município, destaca-se a Igreja Matriz de Santo Antônio e a Igreja de Nossa Senhora do Rosário, testemunhas do período colonial. Pelas ruas do centro histórico, casas de mestres e mestras da cultura exibem ateliês e museus vivos, onde ofícios como couro, palha de bananeira e crochê são transmitidos de geração em geração. Além disso, vale sentir o artesanato local e descobrir a personalidade de cada criador.
Para quem busca tirar o olhar do urbano, há refúgios de natureza nos arredores. O Engenho Tupinambá, relicário vivo do passado rural, e Sítio Pinheiros oferecem contato com a história agroextrativista. Já o Geossítio Riacho do Meio, parte do Geopark Araripe, reserva formações rochosas e ecos de lendas ancestrais, entre cascatas e trilhas.
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Outra sugestão de passeio é a visita ao Complexo Ambiental Mirante do Caldas. A jornalista Laura Brasil, que trabalha no espaço, descreve o local como “um dos pontos mais privilegiados no Cariri cearense quando se fala de riquezas naturais, turismo e salvaguarda da cultura”.
Do alto do teleférico que integra o Complexo, é possível avistar as três principais cidades da região – Crato, Juazeiro do Norte e Barbalha, o CraJuBar – com a Chapada do Araripe ao fundo. Além da vista, o espaço abriga trilhas, um borboletário, cafeteria e o Centro de Interpretação Histórica e Ambiental da Chapada do Araripe. “É uma espécie de museu ou livro aberto”, define Laura.
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O que impressiona os visitantes, segundo ela, é justamente a proximidade entre o cotidiano urbano e uma natureza tão bem preservada. Essa conservação é fruto dos esforços da Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Mudança do Clima e do ICMBio, que atuam diretamente na área da Floresta Nacional do Araripe-Apodi, a primeira do Brasil.
Para quem quiser se aprofundar ainda mais, a dica é hospedar-se na Vila do Caldas, que fica no sopé da chapada. Por ali, pousadas familiares têm aquele "charme de casa de vó", trilhas podem ser feitas a pé ou de bicicleta e o Balneário Termas do Caldas abriga fontes de águas termais associadas às primeiras romarias da região, iniciadas por relatos de milagres atribuídos ao Padre Ibiapina
“Se você visita o Cariri, mesmo que por poucos dias, algo fica em você [...] Aqui tem uma energia diferente de qualquer outro lugar onde já fui”, diz Laura.
No vale do encantamento

Chegando a Nova Olinda, percebe-se imediatamente que aqui cultura e natureza conversam. Num breve trecho, é possível passar de ateliês a sítios geológicos, de museus à vivência comunitária. O epicentro desse intercâmbio é a Fundação Casa Grande – Memorial do Homem Kariri, criada por Alemberg Quindins para preservar a memória do povo indígena Kariri e fitar o futuro com olhos de pertencimento.
Segundo Alemberg, a motivação surgiu do “legado imaterial do homem Kariri na bacia geológica do Araripe, sua mitologia, seus mitos e as referências memoriais de um território cultural íntegro.” Esse impulso tornou o Memorial não apenas um museu, mas um agente de transformação cultural. “Tratamos o desenvolvimento com o equilíbrio da simplicidade e buscamos projetar melhorias na natureza das pessoas com respostas de envolvimento, partilha e coletividade”, explica Alemberg.

Reconhecido pelo Ministério do Turismo como um dos 65 municípios indutores do turismo nacional, Nova Olinda atrai milhares de visitantes por ano, grande parte motivada por esse turismo de conteúdo que alia visitação, formação e vivência comunitária. A Fundação oferece aos visitantes o Memorial do Homem Kariri, museus orgânicos em casas de mestres da cultura, oficinas, exposições e hospedagem familiar, oferecida por cerca de 12 famílias da rede da Fundação, com charme caseiro e experiências autênticas.
Alemberg define a essência da região como um “estado de espírito aonde o vento canta com saudade do mar. É um reino encantado!” Esse sentimento se materializa nas salas do memorial, na força das lendas da Chapada e na energia contagiante do povo.
E ainda há muito o que ver: o Museu do Ciclo do Couro, com a história e as peças de Espedito Seleiro; o Teatro Violeta Arraes; os museus orgânicos de mestres e mestras; a mística Ponte de Pedra, lendária formação geológica; e o Sítio Arqueológico Furna Pintada, com pinturas rupestres.
E seu charme histórico e cultural
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É impossível falar de Assaré sem lembrar do poeta do povo. Filho ilustre da cidade, Patativa do Assaré transformou o cotidiano sertanejo em literatura viva. Sua obra ecoa em cada canto da cidade, sobretudo no Memorial que leva seu nome, um espaço simples e afetivo, onde estão reunidos objetos pessoais, manuscritos, fotografias e trechos gravados de sua voz inconfundível. Ali perto, a Casa do Poeta, na Serra de Santana, revela o ambiente rústico onde ele viveu boa parte da vida: chão batido e paredes de taipa.
Mas Assaré não vive só de saudade. O presente brinca nas ruas durante as festas tradicionais, como o "Assaré em Arte e Cultura", realizado em março, ou o movimentado São João, em junho. Em setembro, a cidade se veste de fé para celebrar Nossa Senhora das Dores, padroeira local. No fim do ano, o “Natal de Luz” transforma a praça com decoração e música da Sinfonia Patativa, formada por músicos da região.
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Caminhar pelo centro histórico é como folhear um livro antigo. A Igreja Matriz, do século XIX, se impõe com sua arquitetura singela e acolhedora. Próximo dali, casarões como o da Fazenda Infincado e a Casa da Várzea guardam memórias da época dos grandes fazendeiros e das lutas pela terra. Já nos arredores, a Barragem Canoas atrai quem busca sombra, água fresca e um respiro da rotina urbana.
Assaré pode até parecer pequena no mapa, mas é imensa em identidade. É daquelas cidades que não se esquecem.


